PARA QUE NÃO HAJA AMANHÃ

tudo que você quiser eu faço
tudo que for de ti para mim eu traço
tudo que eu puser na cabeça embaraço
e se não puder tecer eu amasso
se você quiser que eu desafine eu troço
se me quiser menino eu moço
e se não puder estar sentindo eu ouço
tudo que for de dezembro ou março
quase tudo que for impossível eu teço
ainda que não se possa imaginar eu meço
com meu compasso esculhambado ou terço
no meio desse inferno ideal eu desço
e se não houver amanhã eu fuço
qual um porco cachaço e tusso
no meio dessa fumaceira e ruço
a fim de que não caia por fim de bruços
mas se houver amanhã ou isso
talvez eu pegue chapéu e caniço
e saia por aí gastando o que me sobra de viço
para que não haja amanhã nem serviço

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