O C U R I Ó

Numa manhã, encontrou o curió morto dentro da gaiola. Formigas o tinham aniquilado, sem respeito ao canto maravilhoso. Caiu, assim, na maior prostração.

As manhãs de domingo seguintes pareciam o silêncio etéreo e o abandono trágico da criatura. Vagava por entre as alamedas do Campo de São Bento, olhando as gaiolas dos amigos. Todas lindas, deslumbrantes. Mais e mais humilhou-se. Sem o curió, o menor dos mortais. Sem o pássaro, nem os filhos, nem a mulher.

Murchou tanto, definhou tanto, que perdeu suas próprias canções, seus íntimos gorjeios.

Num dia de muda, o frio intenso da solidão, amanheceu morto sobre a cama do casal, a mulher chorando, a porta da gaiola aberta para o desconhecido.

2 comentários sobre “O C U R I Ó

  1. Paulo

    Óia, Saint-Clair, eu já ando com o coração apertado e tu ainda me vem com um negócio desses. Me faz chorar não, manovéio!

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