POEMAS MÍNIMOS (II)

VI
esta hora bate incerta dentro do meu peito
ou dessa coisa que parece estar compassando minha vida
e bate e bate e bate
como se o tempo fosse um indecifrável discurso
de um deus louco
perdido nas desavenças do olimpo
VII
meu (d)estro canhestro despojado
não perscruta além da febre e do calafrio
e das injunções sociais que nos condicionam
a sermos essas pessoas mais ou menos complexas
mais ou menos tolas
mais ou menos loucas
mais ou menos poetas
VIII – TEIMOSIA(*)
torço pelo botafogo desde os tempos de menino
garrincha nilton santos didi manga quarentinha amarildo
só não sei por que continuo essa teimosia
eu que me julgo razoavelmente inteligente
IX – PEQUENA LIÇÃO DAS COISAS
a mosca sobre o resto da carne no prato sujo
mil desejos reprimidos
no voo do inseto
o trajeto incomum e descontrolado
de todas as emoções
X – FORMA E CONTEÚDO
no escuro do quarto
o som do meu corpo
procura o teu significado
 
(*O poema é antigo, antes de todas as glórias atuais do meu querido Botafogo. Como não tenho o hábito de jogar fora textos, resolvi publicá-lo aqui, para vocês verem como, no futebol, há dias de inferno e dias de paraíso. Estes últimos, os alvinegros os estão vivendo, diferentemente dos nossos coirmãos cariocas.)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s