À BOCA DA NOITE

É tão tarde. Pela noite

Que a tudo escurece

Sem brilho sem luz sem vela

Segue a caminho da morte

Aquele que se revela

A cada passo que dá

Aquele a quem não se olha

Distante seu caminhar

Como quem parte escondido

De todos os semelhantes

Que dessemelhantemente

O desconhecem de fato.

E seguem aquele que mudo

A palavra em rasa boca

Molhada pela saliva

Se cala na viva voz

Aquele que nunca ouve

A boca porta fechada

Ouvidos ávidos fartos

Dos sons dos outros que falam.

E segue à morte anunciada

O que não diz e só ouve

Como se a fala lhe fosse

Pesado fardo a levar.

E bem tivesse palavra

O que escorre da boca

Num borbotão do pensar

Mas cala como se fosse

O som daquilo que fala

Mesmo sentido que tosse

Mais profundo que a bala

Que lhe atravessou a boca.

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