MULHER

ri quando ri e explode em graça

não a que faz rir

porém a que desnorteia a vida

 

vê quando vê e perfura os olhos

dos que olham

e se imaginam vistos (na verdade veem)

 

vai quando vai e desestrutura a praça

não a em que estacionam carros

porém a que abriga corações desesperados

 

e se respirar quando respira

é vendaval morno que destelha

os mais contidos

 

e quando se oferecer se acaso se oferecer

há de ser profundo abismo

donde sair não há de o mais sensato ser

 

e ao pensar – que pensar é sempre –

é mulher que ilude

o fogo a leveza a claridade a juventude

Johannes Vermeer, Moça com brinco de pérola, c. 1665 (em pt.wikipedia.org).

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Esta entrada foi postada em Poesia.

2 comentários em “MULHER

  1. Amanda Schuab disse:

    Lindo texto, adorei! 🙂

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