AFORA UM DÓ DE PEITO

o dia ilude e nada parece tangível.

as coisas lindas

são todas findas sem memória

ao contrário do poema.

a realidade é mais dura que o concreto dos edifícios

e não há ilusões possíveis no passeio público

na cinelândia ou na praça tiradentes.

a arte do municipal vai mal

e nem há livros na biblioteca nacional

que possam explicar o que ocorre nas ruas.

todas as ideologias são estéreis

não importam seus decibéis.

afora um dó de peito

uma dor de cotovelo mal curada

e uma unha encravada

o resto não justifica tanto desespero.

2 comentários sobre “AFORA UM DÓ DE PEITO

  1. Paulo

    Falou tudo, professor, disse-o bem. Ainda bem que temos o poema enraizado na alma, esse "espelho cristalino que ganhei de uma morena".

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