AI DOS VENCIDOS

Afora uma angina de peito, um espravão no calcanhar direito e a escamação da pele, considerava-se em forma. Sobretudo porque não lhe fugira, como a um cão acuado, a tesão de macho. Visse ela nas manhãs frias! Por isso se achava um homem ainda completo.

Maria não julgava tanto. Aquele velho empertigado, metido a galã, murmurava obscenidades em seus ouvidos de doméstica. Com que direito? Pela diferença social ou por seu corpo de vitela? Mas até que achava interessante despertar paixões em velhos.

Dídimo era dos tais. “Vou comer essa escurinha, nem que seja a última coisa que faça na vida”.

E um e outro viviam se mirando, com olhos distintos, mas se mirando, se medindo, se estudando.

Na tarde de quarta-feira de Cinzas, depois de um carnaval extenuante, Maria ainda entrou rebolativa na quitanda. Dídimo, olhos perdidos no desfile da Mangueira, não perdeu tempo. Segurou a mulata faceira por trás, aconchegado nas ancas fartas, gemendo e bufando como locomotiva a vapor. Ela, para não se fazer de fácil, ainda tentou dar cotoveladas nas costelas do velho, de modo a não machucar, mas apenas para valorizar o agarro.

E, desde então, após algumas promessas ao pé do ouvido, passou a reinar soberana sobre batatas e abóboras, cachaças e rabos-de-galo, meeira com todo o direito que se tornou da Quitanda São Judas Tadeu. E Deus seja louvado!

A nova dona da Quitanda S. Judas Tadeu (em efuxico.com.br).

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