COMO ENTENDER O BRASIL EM UMA LIÇÃO SOMENTE

Vários intelectuais e pesquisadores já empreenderam a missão de suas vidas, que é a de entender o Brasil. Por que estamos situados numa placa tectônica tão boazinha, encimada por uma crosta terrestre das mais dadivosas, repleta de seres animados e inanimados dos reinos animal, vegetal e mineral de tantas belezas e utilidades, assolada por um povo deveras esquisito, que suporta todo tipo de mazelas, maus tratos, descasos, sem se importar muito, pois há de surgir um carnaval no próximo ano e o meu time – se Deus quiser – vai faturar a taça, e o país ainda continua flutuando, sem submergir no mar de lama?

O parágrafo acima foi longo, mas necessário. Doravante, serão os próximos curtos e grossos.

O governo Dilma tem enfrentado uma oposição sistemática de DEM, PSDB, PPS, dentre os mais notórios, e o apoio subserviente de PMDB, PR e PDT.

Charge de Cássio Loredano, em homoerectu.blogspot.com.

Agora que foram pegos vários marmanjos do PMDB e do PT com a boca na botija, a base aliada vai para a oposição, fazendo beicinho, e os antigos opositores acorrem a apoiar a presidente Dilma, na faxina que ela diz pretender fazer em todos os escalões do governo.

Assim, a oposição passa a ser situação, e a situação como é que fica?

Tente explicar isso a um sueco ou a um dinamarquês. Certamente eles não entenderão. Caso expliquem a um português, este seguramente morrerá de rir, com toda a razão.

O apoio que agora senadores da oposição vêm oferecer à Presidente para que ela faça a faxina é eticamente correto, mas politicamente oportunista. Situa-se na faixa do “viemos aqui puxar o tapete”.

Contudo, se assim não o fizessem, deixariam a Presidente de vassoura atada, já que não pode contar com sua base aliada, pois ela só faz fogo amigo, só dá bandeira, só caga na retranca, como se dizia antigamente na minha terrinha natal.

A Presidente está numa empreitada impossível de ser realizada. Sobretudo por seu discurso ambíguo, em que demonstra a firmeza para apurar as irregularidades, mas sem aceitar “excessos” nesse combate.

Ora, Presidente, esta gente, se não combatida, acaba chegando a outros ministérios, como ocorreu com o sr. Rossi, de quem não se pode comprar um pangaré, sem o risco de levar manta. Ele mesmo, de falcatrua em falcatrua, galgou postos até o Ministério de Agricultura.

Não sei se vocês conhecem a piada imoral de dois amigos que acabam sozinhos em uma ilha deserta, por motivo de naufrágio. Depois de algum tempo, ainda no vigor da mocidade, um propõe ao outro saciarem-se sexualmente, pois já não aguentava o tal prazer solitário. Depois de convencer o colega de solidão, resolveram ambos combinar de não falar nada, se resgatados. Tiraram par ou ímpar, e o proponente perdeu. O outro serviu-se dele, quieto, sério, só saciando suas necessidades. Trocaram de posição e o autor da ideia, muito entusiasmado, quase chegando ao auge, pede ao colega:

– Dá-me um beijinho, pá!

Ao que o de baixo, cheio de razões:

– Sem viadagem, sem viadagem!

É mais ou menos isso que me pareceu a atitude da Presidente: pode sacanear os corruptos, mas sem viadagem, porque eles são nossos parceiros, nossos aliados.

(Os parágrafos podem nem ter sido curtos, mas notaram que estão mais grossos que os demais?)

Deu para entender o Brasil? Não?

Se intelectuais brilhantes não conseguiram, não serei eu, blogueiro despretensioso, que conseguirei.

E continuamos todos tontos, sem compreender esse país de dimensões sentimentais.

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