O RIO DE JANEIRO SEMPRE SURPREENDE

Fui passar o fim de semana em Tiradentes e fui surpreendido por notícias desta mui leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Pelo jornal Estado de Minas, tive conhecimento da lambança feita pelo ex-chefe da Lei Seca, que, depois de tomar um simples cálice de vinho – todos os que fazem m… só tomaram um único cálice –, não se lembra de mais nada, apenas dos buracos da rua, da lâmpada apagada do poste, do meio-fio sem conservação, do grafite no muro da casa da esquerda e da janela desbotada da casa da direita. O pobre coitado não consegue, em hipótese alguma – talvez apenas com regressão de vidas passadas –, lembrar-se de que uma pessoa – e não mais que isso – estava atravessando o breu da noite, no exato momento em que seu automóvel com problemas nos faróis, em baixa velocidade, e também coincidentemente, ia manso por aquela via pública mal cuidada.

Quero deixar claro para os meus poucos, mas fiéis leitores, que sempre fui contra a tal Lei Seca. É uma lei draconiana que veio embalada na ojeriza xiita ao uso do álcool, que é mais velho do que o uso pelo ser humano da pasta de dente e do sabonete, somente porque as autoridades, nunca antes na história deste país, fizeram cumprir a legislação já existente. Então, em nome de uma pureza de costumes, proibiu-se qualquer consumo de bebida alcoólica, mesmo uma simples cerveja durante a refeição.

Alega-se que as estatísticas melhoraram muito, sobretudo, acho, aquelas que se referem à arrecadação de multas e ao número de processos administrativos.

No entanto, apesar de tudo isso, é inadmissível que uma ex-autoridade do ramo se dê ao desfrute de beber um golinho sequer e sair por aí atropelando um ou alguns transeuntes desavisados e ponha a culpa no remédio que está tomando, pela sentida morte do pai há pouco.

Seria mais decente deixar a alma do finado em paz. Nem depois de morto, o pai tem sossego com esse filho travesso?!

Quanto ao bonde de Santa Teresa, sem brincadeira, ao ver na internet a notícia, não pude acreditar como este simpático meio de transporte carioca fosse capaz de tal tragédia.

Aí vem um especialista e diz que o acidente prejudica muito a imagem da cidade. E a vida e a segurança das pessoas?

Agora as mesmas autoridades de sempre, após culparem o motorneiro morto, prometem total renovação do sistema.

Não sei se terei vida para ver isto acontecer. É que já vi, por exemplo, vários projetos de revitalização da Praça Quinze que nunca aconteceram.

Imagem em riomarturismo.blogspot.com.

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