SOU COROA, MAS DOU MINHAS CACETADAS!

Pela idade que tenho, já devia estar um pouco mais satisfeito da vida. Mas sou uma pessoa um tanto desacorçoada, como dizem os paulistas. Vira e mexe, estou-me mexendo para arranjar um jeito de não fazer nada. Tipo assim linha Dorival Caymmi: sombra, rede e água fresca.

Mas, todavia, contudo, entretanto, também vou dar minhas cacetadas nesse tal de roquenrol, ou melhor, nesse tal de Rock in Rio. Fui ao primeiro, lá pelas lamas de 1985, quando o Rod Stewart cantou. Fiquei molhado, enlameado, comi macarrão à bolonhesa sentado na beirada da barraca de festifude (xi, quase um palavrão!) e saí com a alma encharcada de rock.

Pode parecer esquisito, mas quando o rock nasceu, ou pelo menos, quando chegou ao Brasil, eu estava lá na minha terrinha natal, no interior, ouvindo seus acordes pelas ondas do rádio e curtindo minha adolescência cheia de espinhas na cara.

Achei aquele troço muito bom. Meus pais, tenho certeza, embora nunca me tenham dito, achavam uma porcaria, mas nunca me impediram de ouvir Hoje é dia de rock, do Jair de Taumaturgo, onde apareciam uns malucos de Austin, de Guadalupe, de Vila Rosali, para fazer mímica para Tutti frutti, Ranaway, Jailhouse rock, Calendar girl, Diana*, e uma infinidade de canções que mudaram completamente o panorama da música jovem internacional.

Aos poucos, até o sistema de alto-falantes do Nark Pontes, que ia ao ar em determinados períodos do dia em nossa vilazinha, começou a incorporar um ou outro rock no meio de sua programação de “músicas em gravações variadas”, onde predominavam Orlando Silva, Nelson Gonçalves, dentre outros. E ele anunciava:

– Ouviremos agora, na voz de Neil Sedaka, o rock balada de sua autoria, Oh, Carol!

Na época, era praxe dizer o tipo de música a ser executada e também seus autores.

Posso dizer, com segurança, que o rock foi um dos responsáveis pela abertura de mentes nos anos 50/60 e sua evolução e diversidade arrebanhou ao redor do mundo uma multidão de fãs. Em determinado momento – para ser mais preciso, nos anos 70 – eu acreditava que ele era capaz de salvar o mundo da estupidez da guerra.

Não salvou, mas até hoje acho o rock fundamental na minha vida.

Já o modelo do Rock in Rio de uns tempos para cá não é de rock, ou antes, não é só de rock. Por que, senão, como explicar, nesta edição, a presença da linda e vitaminada Cláudia Leite e sua música bleargh!? Aliás, em que pese sua beleza deslumbrante, sua voz bonita, a qualidade do que ela canta é muito duvidosa, isto para ser elegante com ela.

E Elton John também nunca foi rock!

Mas o que se há de fazer com esse novo Rock in Rio? Espero que, dentre mortos e feridos, haja uma salvação roqueira plausível.

PS: Qualquer dia, falo com vocês sobre Pink Floyd e companhia.

(* Músicas gravadas, originalmente, por Little Richard, Del Shannon, Elvis Presley, Neil Sedaka e Paul Anka.)

Capa do primeiro elepê de Little Richard, de 1950 (the1950s.wordpress.com).

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