“O MONSTRO QUE VOLTA”*

Monstro lixobravo (em weno.com.br).

Queria que vocês, logo de saída, entendessem que não sou contra o Governo. Sou, em princípio, contra governos. O que pode parecer estranho, mas não é a mesma coisa.

Acho que deveríamos ter a capacidade de viver em sociedade harmônica sem que houvesse instituições superiores a reger nossos passos. Porém, como todos somos humanos – e com uma carga de desumanidade pela tampa – , faz-se necessária a existência de governos.

É, mais ou menos, por aí.

Só que o Governo – e esse nosso de agora – está tentando emplacar mais um imposto para fomentar o setor de Saúde. Deste modo, há a ameaça da volta da famigerada CPMF. E digo famigerada não porque eu a achasse perversa ou injusta. Parecia-me, quando de sua criação, um imposto que pegaria a todos que tivessem movimento bancário, não importando se fosse um simples trabalhador assalariado ou um grande especulador.

Contudo, como no Brasil se dá um jeitinho para tudo, havia a possibilidade de se escapar à cobrança e, o pior, o que foi recolhido jamais chegou a um leito de hospital, a um esparadrapo ou a uma seringa.

Esta, com certeza, é a nossa grande esperteza: criamos uma coisa, que logo se transforma num monstro desgovernado, não por incúria ou incompetência das autoridades, mas simplesmente por um desvio programado, uma rasteira anunciada no cidadão pagador de impostos.

A Presidente (não escrevo presidenta nem por um casal de macacos) quer saber de onde tirar o dinheiro, para os investimentos necessários. E não basta a arrecadação cada vez maior, para que se descubra onde está o dindim?!

O jornal O Globo de hoje estampa em sua manchete principal que “Saúde é a que menos ganha com arrecadação recorde”. Eu, que não sou economista, já vi de onde pode vir o dinheiro. Além disso, há o preceito constitucional que determina porcentagens para aplicação tanto na Saúde, quanto na Educação. E essas duas áreas continuam à míngua, como vem acontecendo há anos, há décadas. Basta ver o caso recente do Hospital Universitário do Fundão da UFRJ, no Rio de Janeiro, para que se levantasse a penúria geral dos hospitais universitários país afora.

Na notícia veiculada, o economista Amir Khair afirma que o governo tem de investir mais porque esta “É uma área muito sensível e precária”. Tal qual, diria eu, a saúde dos brasileiros: sensível e precária.

E podem ter certeza: a base aliada, quando não faz fogo amigo com os inúmeros casos de corrupção na esfera administrativa, vai providenciar a volta do monstro.

Quem viver pagará!

(*Título do primeiro filme de terror que vi nos anos 50, em preto e branco, que me apavorou muito em menino. Quando o monstro mostrou sua cara em tela cheia, vários meninos caíram do banco, no cineminha do Liberdade Esporte Clube, de tão gloriosas tradições, lá na minha terrinha natal, Carabuçu.)

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