CREIO, NÃO CREIO!

1. A Polícia Federal, no recente caso dos carros de luxo importados ilegalmente, diz que a entrada dos veículos foi facilitada em portos brasileiros, porque alguns funcionários facilitavam a muamba, mediante propina. Taí uma coisa em que não acredito. Todos os nossos funcionários – alfandegários ou não, sem exceção – não se deixam corromper por dinheiro nenhum do mundo! Ponho até a mão do Jader Barbalho no fogo por eles. Ou a do Renan Calheiros. Vocês escolhem.

2. A PF também informou que vários proprietários de tais veículos sabiam da sua origem criminosa, já que todos são maiores de idade e comem um pão de sal sozinhos. Dentre eles, estão Belo, Emerson Sheik, Kléberson, Latino, Diguinho. Isto é outra coisa em que também não creio, e vocês hão de concordar comigo. Todos são pessoas insuspeitas, éticas, corretas, que jamais se envolveram em qualquer episódio reprovável. Belo, por exemplo, é uma figura cândida e impoluta da vida artística brasileira, sobre quem não se pode nem atirar o pó da suspeita.

3. A operação Mãos Limpas também da Polícia Federal (Será que a PF não tem mais nada para fazer, a não ser incomodar os outros?), após um ano, chegou à conclusão de que autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário – inclusive do Tribunal de Contas – do estado do Amapá e da prefeitura da capital desviaram, durante dez anos, cerca de um bilhão de reais de recursos públicos que não tinham um dono identificado e aparente. Também não creio nisso. Primeiro, porque no estado do senador Sir Ney, o ético, não há safados na administração pública. Segundo, porque nunca houve tanto dinheiro assim por aquelas bandas. Bunda de índio há muitas e só!

Médico disfarçado de caipira em fuga (investigacoessud.blogspot.com)

4. Dizem as más e ferinas línguas que o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, o insuspeito, concedeu habeas-corpus ao médico Roger Abdelmassih, de 68 anos e condenado a outros 294 de prisão por crimes contra trinta e sete mulheres, justamente quando este tentava renovar seu passaporte. O ministro acreditou que o condenado não queria fugir do país. Ele renovou o passaporte apenas para tirar onda com os amigos. Taí: acredito no ministro. Ele é gente fina, figura de alta credibilidade. E também acredito que a viagem que o médico estava querendo empreender em direção ao Líbano era só para passar uma temporada na bela praia de Tartus, antes de voltar às masmorras da prisão. Dizem, inclusive, as tais línguas que ele já está lá, lépido e fagueiro.

5. Por fim, creio que minha crença se abasteça da descrença de que tudo o que o ser humano faça é para o exclusivo malefício de seus semelhantes e dessemelhantes. A cobra peçonhenta só nos morde, porque não sabe dar beijinhos.

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