BLUES NA VEIA

Ganhei de presente de minha filha, que esteve em Dubin há duas semanas, o cd de Dermot Byrne e Kevin Davenport, Live at the Ha’Penny.

Não conhecia os músicos, mas ela sabe que sou fã de blues, viu o show e pensou: “Meu pai ia gostar de estar aqui!” Sobretudo tomando as maravilhosas cervejas irlandesas.

Quero dizer para vocês que tenho uma grande simpatia pela Irlanda: pela sua história de resistência política e cultural. A Irlanda peitou o grande Império Britânico, fez sua independência à força, hoje nem da Commonwealth faz parte, e por zelos do Partido Republicano conseguiu não deixar morrer a antiga língua celta, comumente conhecida como irlandês, uma das mais antigas do Ocidente e ramo do Indo-Europeu, a língua-mãe de várias línguas europeias e asiáticas, com características linguísticas importantes para o estudo da origem das línguas. Hoje, a par da força histórica do inglês, o irlandês é também língua oficial e a primeira a ser escrita em documentos oficiais e informações públicas.

Além disso, a Irlanda é berço de brilhante literatura e é um manancial de música, como poucos países o são. Não é necessário aqui nomear irlandeses destacados nessas artes.

Pois muito bem! Pus a rodar o cd de Byrne e Davenport e qual não foi a minha surpresa com a qualidade da música.

Por quatorze faixas, os dois músicos tocam o chamado blues de raiz, entre composições de Byrne, músicas tradicionais e composições clássicas.

Não há como destacar uma da outra, já que todas as faixas estão no mesmo nível, dentro da mesma proposta musical.

E aí fico pensando naqueles amantes de blues que não têm uma filha que foi a Irlanda recentemente e, por acaso, entrou no Ha’Penny, viu o show, gostou, comprou o cd, que, diga-se de passagem, parece pirateado tal a precariedade da embalagem, lembrou de seu pai e resolveu trazê-lo de presente.

Agora, no momento em que escrevo esta postagem, ouvindo o cd, fico pensando: Que pena de vocês! Ou como diria o velho cronista social Ibrahim Sued: “Sorry, periferia!” Hehehehe!

Mas eu também sou filho de Deus e mereço esses mimos!

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Dermort Byrne & Kevin Davenport, Live at the Ha’Penny (gravado ao vivo em 2011 em Dublin). Faixas: 1) Fortune teller blues (D. Byrne); 2) Poor boy blues (trad. arr. D. Byrne); 3) Dust my broom (R. Johnson); 4) Ragged an’ dirty (W. Brown); 5) Midnight special (H. Leadbetter); 6) Outskirts of town (Louis Jordon); 7) Stagalee (trad.); 8) Little queen of spades (R. Johnson); 9) Leavin’ blues (H. Leadbetter); 10) Can’t get the stuff no more (Tampa red); 11) Death letter (Son House); 12) Can’t be satisfied (McKinley Morganfield); 13) Old Riley he is gone (trad. arr. D. Byrne); 14) Trains 45 (trad.).

A tosca capa do excelente cd.

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