ISRAELENSES E PALESTINOS

Como sei que, tão cedo, o conflito entre israelenses e palestinos chegará a bom ou mau termo, também vou meter minha colher de pau nesse angu já muito encaroçado.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que isso é briga em família – tais povos são originariamente irmãos, quando muito primos – o que torna qualquer tentativa de acordo muito mais difícil. Parente é serpente, como no filme de Mario Monicelli (1992). Em segundo lugar, habitam o mesmo espaço geográfico. Quer dizer, são vizinhos parede-meia. Assim o que um faz incomoda o outro. E como o grau de tolerância/intolerância, além de todos os argumentos, está baseado em suas crenças religiosas, aí o problema cresce de tamanho.

Imagem em nayyagami.blogspot.com.

Não que, se fossem seguidores do mesmo Deus, se resolvesse a parada. Há cristãos que se engalfinham, budistas que já quebraram o pau uns com os outros, assim como muçulmanos que, ao longo da história, também tiveram suas diferenças. Mais recentemente, só para lembrar, iranianos e iraquianos travaram uma guerra estúpida. Ou dentro do próprio território do Iraque, a desavença entre xiitas e sunitas. Mais ou menos como católicos e protestantes no Reino Unido.

Deste modo, para se encrespar um com o outro, basta que os dois queiram. E isto é o que não falta: gente disposta à guerra!

Com relação ao conflito na região da chamada Terra Santa, ocorreu há pouco a troca de um israelense, Gilad Shalit, soldado do exército, por milhares de palestinos presos em Israel. Há alguma coisa estranha, vez que Marcelo Yuka e Seu Jorge afirmaram que a carne mais barata no mercado é a carne negra*. Pelo visto, a carne palestina também anda com a cotação lá embaixo: 1000×1. Isso não paga nem placê.

A imprensa diz que o israelense era cativo e os palestinos, prisioneiros. Vejam que há um peso semântico distinto nas duas palavras que destaquei, como se houvesse a noção de injustiça para um e justiça para outros.

Ora, Gilad Shalit é soldado, portanto envolvido naquela guerra estúpida e passível de sofrer qualquer tipo de ação contundente de palestinos interessados na independência e no reconhecimento de seu território.

Os palestinos, no entanto, recusam-se a reconhecer o Estado de Israel, vez que tal estado foi uma imposição da ONU, em meados do século passado, em lugar já ocupado por palestinos, que ali só estavam porque os judeus sofreram a  diáspora no primeiro século de nossa era, os quais, por sua vez, vindos da Caldeia sob a batuta de Abrahão, vários séculos atrás, conquistaram o território que consideravam a Terra Prometida.

Vejam como o negócio é enrolado. Com quem estará a razão? E respondo-lhes com tranquilidade: com os dois e com nenhum deles.

Enquanto um não se dispuser a reconhecer o direito do outro à existência como povo, nação e estado soberanos, não haverá a mínima possibilidade de paz.

E quem fará isso? Quem meterá no coração furioso de um e outro a aceitação do diferente: Jeová ou Alá? Shimon Peres ou Mahmud Abbas? Natalie Portman ou Shakira (Sei que esta é colombiana descendente de libaneses, mas entrou aqui porque é bonita que dói, como a outra! E, toda vez que escrevo Shakira no blog, aumenta o número de leitores.)

Certa vez, Chico Anísio disse que o princípio cristão do “amai-vos uns aos outros” é fácil de ser posto em prática, quando o outro está em Belém do Pará e você no Rio de Janeiro. Porém, tolerar aquele seu vizinho nojento e antipático, é muito mais complicado, já é pedir demais.

E acho que a coisa é mais ou menos por aí. Os dois – israelenses e palestinos – são vizinhos nojentos, antipáticos, insuportáveis, que querem a desgraça mútua. Óbvio que há muito mais questões a serem resolvidas nisto. Contudo, até agora, Israel teve o apoio e o beneplácito do Ocidente. Caso contrário também já teria sido varrido do mapa pelos povos árabes.

Aí é intolerável suportarem-se! E, enquanto não se sentam à mesa para negociarem uma convivência, aproveitam o tempo de sobra para meter o ferro daqui e dali, com o sofrimento maior daqueles que podem menos, como a história está careca de nos mostrar.

Essa desavença ainda vai longe!

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*A carne, música gravada por Elza Soares, no cd Do cóccix até o pescoço, Maianga Discos, 2002.

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