ZOOFÍLICA

A lua ia alta no céu, como um luzeiro iluminando a noite, estrelas, etc.

Depois do baile, Tonho e Zé Luís pegaram a trilha dos pastos até chegar à casa de Tonho, onde dormiriam, para se livrar do porre. A boca amarga, a cabeça ainda rodando, a conversa animada. Xô, vaca! Cuidado com a bosta, cumpade! Pelo caminho, duas penquinhas de coco catarro: gostoso, mas danado para emplastrar o céu da boca com sua gosma. Os calhaus da estrada, as porteiras que batem seco no meio da noite, o eterno ruminar do gado. Lá vão eles.

Se não fosse a zonzeira, até que teriam chegado mais rápido, mas acabaram chegando. Sem pressa de dormir, ainda trocavam prosa, quando surgiu a ideia de comer a cabrita Mimosa. Não no sentido gastronômico, à napolitana, como é moda em Liberdade, mas comer no sentido, como direi? – zoofílico! –, como também é moda por lá.

Voltaram ao terreiro.

Bito, bito, bito! Vem cá, Mimosa! Bito, bito, bito! Vem cá, Mimosinha!

Tonho segurou pelo chifre, a cabeça entre as pernas para dar pega. Zé Luís já preparado, se ajeitando feito macho atrás do bicho, descobre que não é Mimosa, mas o bode Cheiroso. Cumpade Tonho, é bode, cumpade! Diz, decepcionado. Pois pode meter o ferro, que esse bode é viado, cumpade! Responde o outro, convicto.

E se não fosse a chegada providencial de Fábio, irmão de Tonho, Cheiroso tinha sido desonrado em noite de lua cheia.

Depois não querem que o Coisa Ruim encarne nesses bichos!

Imagem em legendiagoth.centerblog.net.

Anúncios
Esta entrada foi postada em Conto.