TÁTICA DE GOVERNANÇA EM TEMPO DE CRISE

Tenho analisado com certa profundidade – coisa assim de uma lâmina de barbear sobre um azulejo – os meandros da política brasileira e me dei conta de que já não me surpreendo com nada. Afinal sou brasileiro e não me espanto com pouca coisa. Fui criado sob o medo de saci-pererê, mula-sem-cabeça, lobisomem e carro preto – um automóvel suspeito que andava roubando crianças -, como se dizia na minha meninice.

No entanto canalizei meus esforços na tentativa de entender como, no meio desse cipoal de denúncias, falcatruas, canalhices, explicações inexplicáveis, caradurismo, dentre outras virtudes políticas, se processa a governança em terras tupinambás e tupiniquins.

Todos os ministros defenestrados por denúncias de malversação de dinheiro público, roubo, peculato e esbórnias em geral, são – todos eles sem exceção – gente fina, cidadãos acima de qualquer suspeita, injustamente acusados por uma imprensa torpe e uns e outros aí do rol dos bandidos sem escrúpulos.

Todos eles entregaram seus cargos no intuito exclusivo de se defenderem de tais insidiosas e infundadas aleivosias, como agora o faz o desafinado Orlando Silva, o desviador de milhões, e para permitir que o governo arme a defesa e não sofra mais com o ataque surpresa dos adversários.

E, com esta providência de caráter pessoal, isto é, a entrega do cargo, o governo joga para escanteio, sem querer fazer trocadilho com o Segundo Tempo do Ministério dos Esportes Soturnos e Inexplicáveis, o incômodo de ver um de seus asseclas, desculpem-me, um de seus atletas alvo de maledicências dessa gente que não tem nada o que fazer e vive denegrindo quem está trabalhando denodadamente em favor do pogréssio do “Brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro, vou cantar-te nos meus versos”.

Com isto o foco dos holofotes que lançam m*rda sobre a conduta deste ou daquele ministro fica como nos filmes de guerra antigos, procurando no breu da noite pelos aviões da Luftwaffe, naquele bailado alucinado de fachos aleatórios.

Agora, por exemplo, reina a paz no Ministério de Dilma, até que outro irresponsável atire a primeira pedra sobre algum desavisado que deixou seu telhado de vidro à mostra.

Imagem em gartic.uol.com.br.

É o tempo, talvez, que a Presidente (Não escrevo presidenta nem por um casal de macacos!) tenha para cobrar fôlego e seguir em seu nado dessincronizado até o fim da piscina olímpica, cheia de cacas, de seu mandato.

Se a Presidente não escolheu seus auxiliares diretos (Dizem que alguns lhe foram impostos por Lula.) isto não redime a sua culpa, como no samba canção antigo. Porque também há um provérbio popular que muito bem se aplica ao caso: Diz-me com quem andas e te direi quem és. Lição, aliás, que meus pais sempre me passavam na juventude: escolha bem suas companhias. E acho que aprendi razoavelmente.

Tenho a maior das boas intenções com a Presidente, porque, afinal, é ela que conduz o barco em que estamos, e acredito, na medida do impossível, que ela não se beneficie desses esquemas, mas a sucessão de denúncias me faz colocar as barbas de molho.

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