QUE PENA, LUPI!

O Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi meu aluno na Faculdade de Formação Profissional Integrada do Centro Educacional de Niterói, lá pelos idos de oitenta. Ou, antes, fui professor dele, já que minha disciplina, Língua Portuguesa, era matéria de menor carga no curso de Administração, se bem me lembro, que ele fazia à época.

Estávamos em plena campanha para governadores de estado – a primeira, depois da ditadura militar – e ele era um jovem interessado em política. Aliás, todos os que pegamos este período negro da história brasileira sempre nos interessávamos por política. Era difícil alhear-se a ela.

Lupi chegou rápido à Câmara Federal e, em seguida, no governo de Lula, ao Ministério do Trabalho, através do sistema de cotas acertado pela coligação que levou Lula ao Planalto: era o quinhão a que fazia jus o PDT que sucedeu à morte de Leonel Brizola.

Brizolista na juventude, tenho certeza de que Lupi, ao chegar à presidência do partido, deve ter-se emocionado. Tinha ele no político gaúcho um líder a seguir. Mas, assim que assumiu a presidência do PDT, tratou logo de dar uma guinada no partido, fazendo-o voltar a apoiar o governo.

Agora, no governo Dilma, começam a respingar sobre sua administração na pasta do Trabalho as lamas da denúncia, que têm feito a desgraça de outros membros deste governo.

Não estou aqui defendendo antecipadamente Lupi, porque não posso aceitar nenhuma conduta que não seja ética de qualquer cidadão. Não estou nem imaginando que ele possa ser inocente, bem como culpado. Porém um homem público deve ter suas ações insuspeitas.

Apenas lamento que este meu ex-aluno, que tinha toda a gana, na juventude, de fazer política, possa estar emaranhado num cipoal de denúncias que começa a vir à tona.

Também não estou triste pelo ministro, senão para o meu ex-aluno competente, participativo, articulado que, agora, está mais perdido que cego em tiroteio.

E, caso seja ele culpado de qualquer desvio no exercício da função pública, que pague por todas as suas ações. A Ética pode nos salvar, já que nossas leis são muito frouxas, e ela é superior a nossas simpatias, empatias e antipatias.

Que pena, Lupi!

Imagem em vidasdificil.blogspot.com.

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