O CASO USP

Vou-me meter num vespeiro dos brabos: o caso dos alunos da USP, em São Paulo!

Tenho acompanhado entre perplexo e triste as notícias sobre a luta travada por parte dos estudantes da USP, principalmente da chamada área de Humanas.

Para situar, lembro que, há algum tempo, após episódio de violência no campus daquela Universidade, inclusive com a morte de um estudante por assaltante, um grupo protestou por maior segurança. A direção da Universidade, então, estabeleceu convênio com a Polícia Militar de São Paulo, a fim de oferecer mais segurança a todos que por ali circulam, uma vez que a guarda de que a entidade dispõe é muito limitada em suas ações.

Pois muito bem!

Desde então as coisas vinham caminhando de modo civilizado, pacificamente, até ocorrer o episódio da prisão de três estudantes com droga (maconha).

Aí a coisa degringolou!

Parte da estudantada, no momento da prisão dos colegas, armou uma grande confusão, a fim de evitar que seus colegas fossem conduzidos à delegacia e, posteriormente, indiciados. O confronto foi violento e provocou uma onda de atitudes, que culminaram na invasão do prédio, através de ações violentas, em que muitos dos ativistas escondiam o rosto como comumente vemos no noticiário televisivo acerca da ação de marginais.

As cenas me chocaram.

Passei pelos bancos universitários entre 1968 e 1971, na graduação, período complicadíssimo para a Universidade brasileira, acuada pelos militares que tomaram o poder em 1964. Sofremos muito com a edição do famigerado AI-5, o ato de exceção em sua plenitude, que tirou as liberdades públicas, impôs um regime de desconfiança geral no país. E os estudantes, na medida do impossível, procuraram resistir a isso como se fosse possível. Era complicado enfrentar a força das armas.

Porém o que era possível e plausível era feito. Alguns acabaram por entrar na luta armada, no desespero de tentar pôr fim ao regime de exceção vigente.

E o movimento estudantil foi vigoroso por muitos anos. E também combatido pelo mesmo tempo.

Agora, vemos os estudantes se batendo contra a força policial, bradando frases parecidas com as daquele tempo, porém tendo como móvel uma liberdade que a ninguém trará benefícios: a autodeterminação universitária para compactuar com o uso e o tráfico de drogas no campus da Universidade.

E o Brasil está cheio de motivos para que os estudantes universitários, que sempre representaram a vanguarda da sociedade, direcionem a energia de suas lutas.

Vão-me acusar de conservador, velho, ultrapassado. No entanto, nada disso vai tirar a tristeza da constatação de que, agora, a luta é inglória, é vã. E, a final, vai dar em nada. Mesmo com toda a liberdade que hoje vivemos, é preciso que certos parâmetros se mantenham, sob pena de que a esculhambação geral seja a bandeira desses novos universitários.

E, penso, não foi para isso que se lutou!

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