A USP EM PÉ DE GUERRA

É engraçado como, com os desdobramentos da crise da USP, mais nos parece que os universitários estão vazios de razão.

Estava marcada, para a última quinta feira, passeata pela Avenida Paulista, com concentração em frente ao MASP, onde eles pretendiam encenar uma aula de democracia, como resposta debochada ao governador Geraldo Alckmin.

Além disso, exigem a renúncia do reitor, a revogação do convênio com a PM e o cancelamento dos processos contra setenta e três alunos por depredação do patrimônio público, fato ocorrido durante a ocupação da Reitoria, há cerca de um mês.

O reitor foi eleito e nomeado pelo governador do estado segundo regras previamente estabelecidas. Pode-se até batalhar por mudanças nelas. Ou mesmo exigir a renúncia, se a autoridade cometer falta grave no exercício de sua função. E este não é o caso. Como ocorreu, por exemplo, na Universidade Federal de Rondônia.

Quanto à aula, penso que deve ter sido uma pantomima. Democracia não se ensina em uma aula. Penso também que autoridades não são seus melhores professores. Bem como os que a elas se opõem. Talvez seja justamente do embate diuturno entre as duas partes (ou mais) que se aprimore a democracia.

Acerca da revogação do convênio com a PM paulista, cuja presença no campus foi reclamada anteriormente pelos próprios alunos, em vista da ocorrência de crimes violentos ali, a reivindicação cheira a permitir que aquele espaço da cidade se transforme em território livre para que eles façam o que bem entenderem. Território universitário ou não, aquele local tem de estar também submetido à legislação civil e penal que se aplica em toda a extensão do país. O campus não pode transformar-se num feudo, ou, pior, num gueto.

Sobre o cancelamento dos processos por depredação, aí a coisa é mais simples: todos são maiores de idade, responsáveis por seus atos, por cuja gravidade e consequência devem responder. Ninguém pode depredar patrimônio público. Principalmente quando dele usufrui sem paga pessoal, pois que todo contribuinte o faz por ele.

Assim, parece, aos alunos da USP restará a memória, daqui mais uns anos, de uma luta por motivos muito pouco, ou nada, nobres. O que, para o conjunto da sociedade e para a verdadeira luta por maiores liberdades públicas, não significará nenhum avanço.

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