NÃO FAÇA DO SEU CATAMARÃ UMA ARMA!

A Barcas S/A, concessionária do transporte hidroviário entre o Rio de Janeiro e Niterói, além do serviço de duvidosa qualidade que nos presta, por toda uma série de detalhes que só quem dele se utiliza diuturnamente sabe, agora também está trabalhando na especialidade de atentado à vida humana.

Fui utente diário deste tipo de transporte entre 1975 e 2007, desde os tempos em que estava em mãos do governo do Estado do Rio de Janeiro, como STBG – Serviços de Transportes da Baía da Guanabara. Algum tempo depois, houve mudança na razão social, que passou a CONERJ – Companhia de Navegação do Estado do Rio de Janeiro (penso que era isto). Sucedendo a CONERJ, apareceu a Barcas S/A, ente de direito privado, como concessionária na exploração dos serviços.

Até a CONERJ, os serviços, que às vezes passavam por problemas de greve de seus funcionários, o que, diga-se, era um transtorno monumental para o usuário, eram prestados de forma eficiente, com alguns episódios esporádicos, não se pode negar. Contudo, cumpria-se o horário com regularidade invejável. As barcas, modelo anterior aos atuais catamarãs, eram arejadas, frequentemente limpas e seguras. Os episódios de acidentes não se mostravam no grau deste de ontem.

Fazia-se a travessia em vinte minutos. Todos os usuários sabiam o horário em que saía a embarcação e se podia programar qualquer compromisso de um e outro lado da baía, com certeza de que as coisas iriam acontecer dento do previsto.

Com a privatização dos serviços, as coisas só pioraram. Se se ganhou em tempo de viagem, com míseros cinco minutos – o que, com segurança, não sei se ocorre, pelas vezes em que atravesso a baía – se perdeu em prazer.

Um defeito: os atuais catamarãs foram projetados por quem tem horror à linda vista que a viagem proporciona. É impossível ver o exterior, a não ser o céu, pois as janelas ficam acima da linha dos olhos. Outro defeito: nos dias de verão, o calor que faz no interior do catamarã se revela bem maior do que no exterior, já que a abertura das janelas seja talvez menor que nas antigas embarcações em cerca de cinquenta a sessenta por cento. Houve vezes em que, ao sair do catamarã, em pleno verão, sentia golpe de ar lado de fora, tal era o calor interno. Agora providenciaram portas com entradas de ar. As velhas embarcações tinham total ventilação frontal e lateral, pelas janelas que abriam em forma de guilhotina.

Porém o defeito maior, que mais irrita o passageiro, é, sem dúvida nenhuma, a falta de cumprimento dos horários anunciados. Desta forma, o que se poderia ganhar em economia no tempo de travessia, perde-se na espera nas estações e nos embarcadouros.

Peguei estes problemas todos, porque, morador de Niterói, ainda trabalhei no Rio de Janeiro já com a concessão do transporte à Barcas S/A. Devido a todos esses problemas, criaram-se, na internet, algumas comunidades com o título Eu odeio a Barcas S/A.

Ontem, a empresa chegou ao extremo de sua desídia ao expor a vida de centenas de passageiros com a colisão de um de seus catamarãs – o Gávea I – no atracadouro, que não conseguiu diminuir a velocidade adequadamente.

Talvez o dia em que houver catástrofe maior – e só aí – o governo do Estado, através de seu bem trajado e bem penteado Secretário de Transportes Júlio Lopes, fará o papel devido, que não tem suspeitamente feito, qual seja o de impor à empresa a prestação de serviços de qualidade e em segurança.

Veremos até onde hão de chegar os catamarãs desgovernados da Barcas S/A. Espero que não seja nos cemitérios do Rio de Janeiro ou de Niterói.

O catamarã acidentado, Gávea I (em portalparnaibanoticias.blogspot.com).

2 comentários sobre “NÃO FAÇA DO SEU CATAMARÃ UMA ARMA!

  1. Douglas Silva O Barão

    BARCAS S/A TIRA ONDA COM A CARA DOS PASSAGEIROS, COM A CARA DO PREFEITO, DO GOVERNADOR E DE VC IDIOTA QUE LEU ISSO E ACEITA ESSA CAGADA QUE A BARCAS ESTA FAZENDO! VAMOS PROMOVER UM QUEBRA QUEBRA. QUEM SABE ASSIM MELHORA OU PIORA DE VEZ, MAS ALGO SERA FEITO.

    1. Saint-Clair Mello

      Douglas, só não concordo com a violência, que não levará a nada, mas, antes, agravará ainda mais o problema.

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