SE ALGUÉM SOUBER, ME EXPLIQUE!

Há coisas e coisas que desconheço por completo. Coisas de altas teorias, complexas formulações, estranhas alquimias e mesmo coisas em que não tenho interesse. Sou, realmente, uma pessoa muito limitada, sobretudo no conhecimento científico. Certa vez, Millôr disse de si mesmo que ele era um especialista em generalidades, se não estou enganado.

Talvez esteja até aí uma grande virtude dele, que é meu guru e a quem procuro seguir no modo de ver a vida: esta especialidade em generalidades.

Eu, por meu lado, sei quase nada de tudo e muito pouco de quase nada. Vejam que estou mais ou menos no aprendizado da ciência do meu guia.

No entanto, por maior esforço intelectual que faça – o esforço físico não está nos meus planos, pois neste aspecto sou discípulo de Dorival Caymmi –, há coisas que definitivamente não entram na minha cabeça.

Uma delas é o papel das agências de classificação de risco, que têm um poder incrível sobre a vida e a saúde financeira de um país. Os tais agentes, sentados em seus escritórios, diante de pilhas de dados, dizem, por exemplo: Cuidado, este país não tem capacidade para honrar suas dívidas. Viva, aquele país melhorou e vai pagar direitinho!

E vão por aí afora atribuindo graus, notas e conceitos, influenciando nas bolsas de valores, nas economias dos países, em que se envolve o interesse de milhões, de bilhões de pessoas.

Quem é que deu poder a essas agências? Quantos funcionários tem uma agência desta que, com suas análises e juízos de valor, podem levar todo um povo a uma situação calamitosa, durante alguns anos de sua existência?

Outra é mais doméstica. Há alguns anos, criou-se um órgão que funciona em nível de governo federal para cuidar da ética das autoridades: é a Comissão de Ética Pública da Presidência da República, formada por sete membros. Pois muito bem! Essa tal Comissão reuniu-se agora para avaliar o caso Lupi (É, infelizmente o Lupi se transformou num caso nacional!). Chegou à conclusão de que ele aprontou tantas que deve ser exonerado pela presidente Dilma, a quem encaminhou um ofício com esta recomendação.

A presidente não aceitou simplesmente uma folhinha só e pediu explicações à Comissão e manteve o ministro.

Ora, se há a Comissão, por que não se crê nela? E, se ela existe para este tipo de análise, por que mandou apenas uma folha recomendando a exoneração de um ministro? Se, por outro lado, não se crê na Comissão, para que ela deve existir?

Se algum de meus prezados leitores tiver a compreensão destes dois pontos, por favor, explique-me, pois minha cabeça não consegue entender os papéis das agências de classificação de risco e da dita Comissão de Ética.

Imagem em coisasdestavida.wordpress.com.

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2 comentários em “SE ALGUÉM SOUBER, ME EXPLIQUE!

  1. Eu como sou discípulo seu e do Millôr, sou um generalista-menor, só digo uma frase que li não sei onde e nem de quem é: “Os economistas são excelentes profetas do passado!” Se não é do Millôr, nem sua, deveria ser.
    A imagem que usou é a mesma que uso em minha página do Interrogações no Facebook.
    Osvaldo Oliveira manda um abraço! Ai…ai…

  2. Saint-Clair Mello disse:

    Desculpe-me a pirataria involuntária: é que não sou tão moderno, para ter Facebook.
    A frase é boa mesmo. Parece Millôr.
    Quanto ao Osvaldo, ai, ai!

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