TEMPOS ESTRANHOS, GENTE ESQUISITA

O sero mano, como disse certo vestibulando em sua redação, é realmente cheio de nó pelas costas. Talvez seja o bicho mais esquisito de toda a fauna.

Depois que passamos a elaborar conceitos, criar frases, formular postulados, inventar teorias, filosofias e religiões, complicamos demais a nossa vida e a convivência com os outros.

Nós, que somos fundamentalmente semelhantes, por tudo isso, somos hoje dessemelhantes, com diferenças muito profundas, capazes de nos colocar em posições opostas. O credo, a ideologia, a nacionalidade trabalham para a dissensão.

Porém, neste nosso tempo, chegamos ao extremo de nos opor até mesmo pelas preferências esportivas, pelas cores de escolas de samba e do boi de Parintins.

E, em função de tantas informações e preferências livres, criou-se todo um sistema de valores que se traduz por um número exagerado de regras de convivência, para que se minimize a geração de possíveis conflitos.

Aí surgiu a ideologia da tolerância às diferenças e, a reboque, a da correção política, que nem sempre é coerente, mas que se tem tornado muito chata.

Por exemplo, faz-se campanha agressiva contra o fumo e a favor da liberação da maconha. Afinal, é para fumar ou não?

É politicamente incorreto manifestar-se contra determinadas minorias – o que, de fato, é correto, se é que me entendem – e, ao contrário, é correto protestar contra o uso de roupas de pele de animais, contra os que consomem carne.

Agora há pouco, vimos pela tevê, em Nova Iorque, os ocupantes de Wall Street gritando palavras de ordem contra o consumismo dos clientes de uma loja que estavam na longa fila da chamada Sexta-feira Negra.

Ora, estamos especializando-nos em exageros.

Se devemos respeitar as escolhas pessoais acerca de sexo, religião e ideologia política, temos de aceitar também que o outro gaste seu dinheiro como quiser, coma do jeito que lhe apetecer.

Todos têm suas responsabilidades, pelas quais são cobrados, mas também deverão ter o direito de que não lhes encham o saco, quando torram sua grana em bobagens, trinchem um suculento filé ao ponto, ou transem com um igual. Se este pode dar, aquele pode comer, nos sentidos referencial e metafórico, ora bolas!

Eu, por exemplo, tenho verdadeira ojeriza a discursos catequizantes e diretivos, a literatura de autoajuda e ascensional, a proselitismos de todos os matizes. Se precisar de orientação, peço!

A última Sexta-feira Negra nos EUA. Há quem goste! (imagem em bjc.uol.com.br).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s