A VINGANÇA

Todo mundo até pode ter tido uma fraqueza na vida e, inesperadamente, ter puxado saco de um superior, num dia em que não estivesse muito firme no mundo. É até concebível isso. Puxar saco, porém, diuturnamente, como remédio de homeopatia, pera lá!, já é descaramento. E era justamente isso que Odilon teimava em fazer. Como vai, Excelência? Como tem passado, Excelência? E a excelentíssima esposa, Excelência? E as excelentíssimas filhas, Excelência? Aceita uma aguinha fresca, Excelência? E o Rex, Excelência, melhorou da escandescência? Era de encher o saco de qualquer um. Até o dia em que uma excelência não estava lá muito bem dos bofes e lhe perguntou à queima-roupa se ele só sabia puxar saco, ao que o Couto interveio, com galhofa: Não, Excelência, ele também lambe, se Vossa Excelência quiser!

Por vingança, Odilon comprou um papagaio, que treinou para o chamar de excelência, sempre que passasse diante de seu poleiro: Excelência, currupaco! Excelentíssima Excelência, papaco!

Imagem em gartic.uol.com.br.

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