HOJE SÓ MORREM OS BONS

O título desta postagem foi vergonhosamente chupado e adaptado do sítio Aventar que, hoje, noticia a morte de Cesária Évora (1941-2011).

Cesária Évora (thegoldbrick.net).

Não sei se todos conhecem Cesária, mas deveriam. Ela foi uma cantora cabo-verdiana de excelência. Foi descoberta, em caráter internacional, por um produtor musical francês de férias em seu pequeno país – Cabo Verde – quando cantava num dos bares da capital, Praia. Impressionado com o carisma e a interpretação que a cantora fazia da música tradicional da terra, ele a convidou a ir a Paris gravar um disco e se apresentar para o público francês, que talvez seja o mais aberto a manifestações culturais diferenciadas.

Pois foi lá, numa das lojas da FNAC que, em 1997, comprei o primeiro cd desta verdadeira diva da música.

Com frequência, ultimamente, gravava músicas brasileiras, que entravam no repertório de seus discos como a única cantada em português, já que a música de Cabo Verde se faz normalmente na língua crioula de lá, o cabo-verdiano, produto de uma base do português com influências africanas.

Certa vez, ao comentar sobre ela com meu amigo Paulo Alves, este me disse que não conseguia ouvir, sem lágrimas, o grande sucesso de Césaria, Sodade (clique para ver o vídeo), que era uma das preferidas de sua falecida mãe. Depois disto, não há como ouvir a música, sem me lembrar do amigo Paulo e de sua mãe que, infelizmente, não conheci.

Também morreu hoje Joãosinho Trinta, o mago do Carnaval, o homem que, com sua inventividade, mudou de forma definitiva o estilo de desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro e, consequentemente, do Brasil. A par de sua obra nos desfiles, Joãosinho sempre teve preocupações sociais e promoveu, nas comunidades que se atrelavam às escolas que serviu durante sua vida, programas de valorização e de melhoria de condições de vida. Apesar das questões controversas que promoveu em alguns desfiles, era um artista preocupado com seu tempo e seus semelhantes.

Outro que nos deixa é Sérgio Brito, com segurança, um dos maiores atores do teatro brasileiro. Ultimamente víamos mais Sérgio Brito através da Rede Brasil, onde comandava um programa voltado não só para o teatro, mas, sobretudo, para a cultura e as artes, de um modo geral.

Vê-se, portanto, que há dias em que só morrem os bons. Dia há de chegar em que alguns pilantras, corruptos, picaretas, criminosos de todos os tipos de colarinho também entrarão em colapso vital, isto é, entregarão a alma ao diabo.

Estes três de hoje, com certeza, estarão no panteão dos nossos heróis modernos.

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