O LAVA-BUNDA

Quem tem cu tem medo, diz a sabedoria popular. Menos o Maniquito. Tinha cu e não tinha medo. Isso era coisa que corria todo o povoado como uma verdade irrefutável. Todo mundo pode ter medo, menos o Maniquito. E ele mesmo fazia questão de dar sempre mostras de sua coragem antológica.

Um sujeito assim tão corajoso, é de se imaginar, vai conquistar admiração, inveja, até mesmo paixões secretas. Uma, no entanto, não foi tão secreta assim: a da mulher do Tião Florindo, que acabou por arreganhar as pernas para ele. Bravo e corajoso do jeito que era, não podia deixar passar uma galinha diferente no seu terreiro. E andou visitando a casinha de pau a pique do amigo, para afogar o ganso no lago da Maria.

Como sempre ocorre nesses casos, lá uma tardezinha fechada, com jeito de enterro, Tião Florindo, avisado da traição, chegou a casa com uma foice e uma catana preparadas para cortar a pindoba do Maniquito que, de tanto medo, acabou se cagando pelas pernas abaixo.

Deu um trabalho do cão tirar aquela merda toda do chão de terra batida da casa, mas valeu a pena: Maniquito teve até de mudar de freguesia, envergonhado do novo apelido que ganhara: Lava-bunda.

Imagem em investigacoessud.blogspot.com.

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