COMENTÁRIOS MAL-HUMORADOS DE NOTÍCIAS ALVISSAREIRAS

Está nos jornais que o Brasil ultrapassou o Reino Unido economicamente. Agora somos a sexta economia mundial. Nosso PIB bombou! Com muito mau humor, digo aos meus prezados leitores uma exclamação muito comum em minha terrinha natal, em oportunidades que tais: grandes merdas!

De que adianta, de fato, termos ultrapassado o Reino Unido? Há uma distância quase astronômica nos índices sociais, econômicos, educacionais, científicos, tecnológicos, etc. e tal, entre este país tropical abençoado por Deus e a terra da Rainha.

Não que lá seja melhor do que aqui. Cada povo está acostumado com suas mazelas e suas possibilidades. Apesar de nossos verões escaldantes, não os trocaria por meio metro de neve e o frio do inverno europeu. E vejam que não sou tão sensível a temperaturas. Mas não abandonaria, por nada, a rodela de abacaxi fincada no palito e recostada àquela pedra de gelo gigante, no carrocinha da esquina. O sabor do abacaxi não tem parâmetro; é incomparável!

Aí vem o ministro Mantega e diz que levaremos ainda vinte anos para atingir o padrão europeu. Vou viver esses vinte anos, com certeza, Senhor Ministro! Meu pai, por exemplo, está com noventa e quatro; meu bisavô chegou aos noventa e seis e minha bisavó aos cento e dois. Só morrerei antes por muito descuido. Então estarei a postos para cobrar e ver.

No entanto, pelo pouco que sei e já vi da Europa, há pelo menos uns cinquenta anos de distância nestes aspectos mais sensíveis e palpáveis. Por outro lado, se levarmos em conta, por exemplo, o cuidado que a população tem com suas cidades – não consideradas as revoltas e os distúrbios que por lá ocorrem – posso dizer que haverá, no mínimo, um século de diferença.

Gostaria muito de que tudo isto acontecesse, para que o sonho do grande Darcy Ribeiro, por fim, se concretizasse: a realização da maior e mais interessante civilização do planeta.

Mas como, ultimamente, estou filiado às hostes cínicas de Diógenes de Sínope, duvido muito de que as nossas elites permitam isto. Elas saberão sugar até o último centavo da riqueza que, através do trabalho, o povo faz crescer e transforma o país na sexta economia mundial.

Convido a que vocês, daqui a vinte anos, confiram todas essas previsões. E estamos combinados!

Jean-Léon Gérôme, Diógenes em seu barril cercado por cães, 1860 (imagem em pt.wikipedia.org).

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