MAIS UMA SANTA A CAMINHO

Ninguém me tira da cabeça a ideia de que a publicação de diagnóstico de câncer de tireoide da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, não tenha tido uma finalidade política.

Não posso crer que a medicina de nossos hermanos esteja assim tão canhestra, que se tenha enganado grosseiramente a tal ponto.

Devo confessar que tenho muita má vontade com argentinos, não apenas pela minha condição de brasileiro – o que seria comum e previsível. É que, na única vez que estive naquele aprazível país abaixo do nosso, em janeiro de 1976 (É tempo, né não?!), fui muito maltratado. Aliás, eu, minha mulher e um casal de amigos. Em nenhum momento de nossa estada lá, de Mendoza a Buenos Aires, pude sentir boa vontade deles para conosco.

Voltando, então, à história da doença da presidente, quero dizer que imagino que o erro foi proposital. Estou até formando a cena. A presidente, diante de desafios terríveis a enfrentar, como, por exemplo, o antipático controle sobre a distribuição de papel-jornal para veículos que lhe fazem oposição, resolveu mudar o foco das manchetes.

De fato, ela foi ao seu médico, a fim de se consultar sobre algum incômodo. Era a tal da tireoide, gladulazinha não confiável que vive dando problemas, sobretudo em mulheres. Feito o diagnóstico de benignidade, ela ou algum de seus conselheiros para horas difíceis teve a brilhante ideia de transformar aquilo numa batalha de vida ou morte para sua pessoa. Pois, se há alguma coisa de que argentino goste, isto é a desgraça, a miséria humana. Caso contrário, eles não teriam criado o tango.

Inventado o diagnóstico de câncer, não só a Argentina, mas o mundo passaria a se preocupar com a vida da presidente e a se condoer desta fatalidade.

Interna-se a presidente. Ocorre a cirurgia. Retira-se a miserenta glândula, que vive aprontado. E aí… tchan! Não é aquela insidiosa doença ruim desaparecera. A presidente está salva, como por um milagre. Ou por incompetência médica, ou por jogada política. Isto nunca saberemos!

E aí está criado mais um motivo para que os argentinos – esse povo estranho que mora num estranho país abaixo do nosso – crie mais um santo prosaico, saído de suas fileiras políticas. A primeira é Evita Perón. Depois será Cristina Kirchner.

E o peronismo sairá fortalecido, rejuvenescido, deste episódio. Bem que a história havia assinalado para o povo argentino: evita Perón! E eles não evitaram até hoje!

Pelo menos, aqui no Brasil, o povo tem consciência de que seus políticos não são nada santos. Aliás, a maioria é de um bando de pecadores recalcitrantes, na linha rouba e não faz, me engana que eu gosto, dá cá a minha parte, e por aí afora.

Esta seja talvez uma das superioridades do brasileiro sobre o argentino: a descrença mais profunda em sua classe política.

Mas lá, o caminho está aberto para santa Cristina Kirchner. Uai, alguns já não acham seu defunto marido, Nestor, já santo?

Cristina Kirchner, por Tiago Hoisel, em hoisel.zip.net.

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