VIVA PERIGOSAMENTE SEM SAIR DE CASA

Recebi na caixa de spam do meu correio eletrônico mensagem cujo título era: “Compre da 25 de Março sem sair de casa”.

E lá eu sou algum doido, algum trouxa?

Já estive na dita rua por injunções matrimoniais. Sabe como é: a gente é casado com comunhão de bens, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na 25 ou na Saara. Não tem jeito. Pior é que eu não sou desses maridos que diz para a mulher:

– Foi você que escolheu isso, então vá sozinha!

Eu me sacrifico até o impossível, mas acabo indo. Reclamo, faço cara feia, má vontade, mas estou ali fazendo valer os votos ditos lá no altar. Depois de algum tempo perambulando por entre milhares de lojas, brigamos, mas eu vou. Ela diz, então, que não vai querer que eu retorne lá com ela, que é melhor que ela faça as compras de bugigangas, tralhas e quinquilharias (Como mulher gosta dessas coisas! Pelamordedeus!), porque eu só atrapalho. Eu digo que é isso mesmo, que jamais voltarei, e daí mais um tempo fica tudo por isso mesmo e estou eu lá outra vez.

Porém agora me chegou esta mensagem, acenando para a comodidade de se comprar na 25 sem os deslocamentos, sem os atropelos, sem os riscos de punguistas, dos ladrões, dos trombadinhas, etc.

E, pergunto, das falsificações e das falcatruas normais da 25, estarei livre?

Du-vi-de-o-do!

Se lá, de corpo presente, sou levado a comprar gato por lebre, a esta distância – moro em Niterói – não acredito que vá receber nada dentro dos conformes, do combinado.

Lembro-me de um conhecido que, certa vez, foi àquela cidade do Paraguai, parede-meia com Foz do Iguaçu, Ciudad Del Leste, que à época tinha o nome em homenagem ao ditador, Puerto Stroessner. Entrou em uma loja bem montada, viu uma máquina fotográfica de que gostara, o atendente a demonstrou. Ele gostou do preço negociado e o vendedor disse que iria lá dentro pegar uma na caixa lacrada, para que ele a trouxesse ao Brasil. Aqui em Niterói, tirou o lacre, abriu a caixa e encontrou uma pedra no peso equivalente à câmara.

Eu mesmo trouxe de lá, nos idos de 70, um legítimo scotch doze anos, porque acreditava que os paraguaios pudessem até falsificar o uísque, porém o rótulo eles não tinham competência técnica para imprimir. Eu mesmo provei o uísque e achei uma grande porcaria.

Agora vem a 25 com essa história de você comprar sem ver o produto. Na verdade, a 25 de Março em São Paulo é nosso Puerto Stroessner da época.

Na última vez que estive lá, a galeria do chinês trambiqueiro estava sofrendo mais uma devassa da Polícia Federal. Não serei eu a me meter a comprar nada com o selo de qualidade da 25.

Aí, 25, tou fora!

A 25 num momento tranquilo (imagem em mundodastribos.com).

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