O SOL DE VERÃO JÁ COMEÇOU A DERRETER NOSSOS MIOLOS

Vivemos numa terra incrível sob todos os aspectos, para o bem e para o mal. Somos um povo inzoneiro, trabalhador, picaresco e safado até a medula dos ossos.

Nossas autoridades e nossos homens públicos, aqueles que legislam, os que aplicam a lei, os que têm o dever de fazê-la cumprir, enfim, todos esses são os primeiros a burlar, a distorcer, a corromper, a delinquir, a prevaricar, a se locupletar (Vou parar, porque isto não é um dicionário!).

Pois não é que, ainda agora, uma senhora delegada, uma jovem senhora delegada, mulher valorosa incumbida de meter em cana aqueles que vivem à margem da lei, foi pega numa sucessão espetacular de infringências ao sagrado Código Nacional de Trânsito? Anote aí: dirigia sob efeito de bebida alcoólica – isto é, tinha tomado uns gorós –; sua carteira está vencida há um ano; seu carro está com o IPVA vencido há cerca de três anos e ela acumula mais de cem pontos em sua mimosa carteira de matorista.

E, em função da abordagem sofrida, ainda deu uma unhada no pescoço do policial que participava da blitz. Está lá o pescoço do homem arranhado, para não me deixar mentir.

E houve ainda outro problema, este de caráter pessoal, que sobreveio à sequência de todos os anteriores.

É que a esposa do policial, ao vê-lo chegar a casa, pela manhã, com a marca no pescoço, não acreditou que ele estivesse trabalhando. Partiu para cima dele, chamando-o de safado, mentiroso, devasso, “que diz que vai trabalhar na blitz da Lei Seca e, na verdade, vai-se encontrar com alguma sirigaita para um sexo selvagem; já te conheço seu sacripanta”. Inclusive usou este adjetivo, sacripanta, que quase ninguém mais usa, em sã consciência. A não ser um ou outro blogueiro por aí já entrado em anos.

Tudo isto me foi revelado por Pai Prudenço*, guia espiritual aqui do blog que, de vez em quando, capta alguma coisa em seu celular espiritual, quadriband, pré-pago e com linha direta com as entidades mais eficientes do pedaço.

As autoridades superiores dos dois disseram que vão examinar tudo, tintim por tintim, para ver com quem está a razão: com o policial militar que deu a dura na delegada da Polícia Civil e lhe meteu uma algema nos pulsos, que acabaram arranhados; ou com a delegada da Polícia Civil que, sentindo-se ofendida na dignidade do seu cargo, aplicou um arranhão no policial militar.

Já estou até vendo o resultado deste rigoroso inquérito administrativo: nenhum dos dois tem razão, mas os dois estavam no estrito cumprimento de seus deveres. Ninguém deve, ninguém paga. E estamos conversados!

E nós continuaremos com esta cara de tacho com que o Senhor proveu o nobre povo brasileiro.

 

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Em tempo: Chega agora a notícia de que o Brasil é o pior país na relação imposto cobrado x retorno em benefícios ao cidadão. Quero esclarecer que não há nada de errado nisto. É exatamente assim que as autoridades planejaram: arrancar até o couro do cidadão e mandá-lo se queixar ao bispo (Macedo, de preferência, que ainda tira mais algum!), se não estiver satisfeito. Primeiro, nós! Depois, os nossos! Após, o que sobrar para vós. E também estamos conversados!

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* Para ver intervenções do Pai Prudenço, clique aqui.

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