NOVA PARADA NAS PARADAS (Shame and scandal in the family)

Cheguei a Bom Jesus para visitar meus pais e minhas irmãs e encontrei uma situação, no mínimo, melindrosa, que levou a uma rusga minhas irmãs C e V (Vou usar as iniciais, para expô-las apenas para os parentes e amigos E preservá-las das fofocas dos demais!).

Habitam as casas de meus pais e da minha irmã E, as quais ficam no mesmo terreno, dois pequenos cães da raça yorkshire: Kenny e Xangai, irmãos de ninhadas diferentes, com cerca de nove anos. O primeiro de ninhada anterior.

Durante muito tempo, eles foram cuidados por minhas irmãs, inclusive nos banhos e nas tosas.

Porém, há algum tempo – pouco, diga-se -, começaram a ser mandados a uma petshop, para esses cuidados. E não é que começaram a ocorrer comportamentos estranhos!

Minha irmã C observou que Xangai, assim que voltava da loja, se engraçava com o irmão, tipo assim – como direi? -, querendo fazer bobices com  Kenny.

Este comportamento, aliás, já era previsível. Certa vez, um amigo delas pediu para levar sua cachorrinha da mesma raça para cruzar. Foi só chegar com a saliente, para que os dois ferozes perseguidores de gatos imaginários e contumazes mordedores de calcanhares de entregadores de supermercado dessem mostras de que jogavam em outro time. Xangai correu a se esconder sob uma das camas, apavorado. Kenny ficou nervoso, vomitou e trocou de mal, durante três dias, com E, porque ela é que receberia a assanhada. A cachorrinha, toda bela e faceira – direi mesmo, toda se querendo –, voltou incólume para casa, tão pura quanto chegou.

Talvez até tenha sido isto o melhor, naquele instante. Imaginem a situação de cão e cadela engatados, zanzando pelas casas, e meus respeitáveis pais vendo aquela devassidão canina e ainda lhe dando abrigo. É por essas e outras que mulçumano odeia cachorros.

Ocorreu hoje, contudo, o fato que levou as irmãs C e V a se desentenderem.

V, que estava no quarto refrigerado em companhia de nosso pai e seus noventa e quatro anos, pegou os dois em flagrante delito de amor homo – os dois são machos, ou o que isto queira dizer no reino dos cachorros –, tendo Xangai no papel ativo e seu irmão mais velho no papel passivo.

Ela, então, saiu correndo de lá, procurando por C, tecnicamente a dona do cão, para tomar as providências que se impunham para a ocasião.

C chegou arrepiando. Não admite esse tipo de comportamento canino deletério em nossa casa. Jogou-lhes um sapato – os dois estavam escondidos sob uma cama, para a bandalheira – e gritou com eles. Onde já se viu? E ficou uma arara com os dois!

– Vê se pode uma coisa dessas: o Xangai carcando o Kenny!

Kenny, envergonhado, deitou-se ao chão e ficou com a cabeça entre as patas dianteiras, muito mimoso. Xangai saiu de lá correndo e veio se abrigar onde estávamos eu, minha mulher e minha mãe. Chegou com cara de que não sabia de nada, não era com ele, “não sei do que estão falando”. Dissimulado como qualquer político pego em flagrante com dinheiro na cueca.

Minha irmã V ainda levou bronca de C, por não ter tomado, de imediato, uma atitude mais severa com os dois desavergonhados. V ria e tentava desculpar-se, dizendo que o botão do bolso traseiro de sua bermuda ficara preso no lençol da cama.

C decretou, então, que banho em petshop jamais, porque desconfia de que o shampoo utilizado tenha algum componente afrodisíaco.

Na verdade, soubemos que até a menina, R, da loja que os traz após os cuidados morre de vergonha, pois os dois já vêm fazendo saliências na gaiolinha colocada na garupa da bicicleta. E ela ainda tem de passar diante da rodoviária e da igreja, onde as pessoas olham com ar de reprovação – as mais sérias – e com gargalhadas – as mais galhofeiras. E ela no papel de transportadora de caninos devassos.

Temo que, mês que vem, ao voltar para ver meus pais, vá encontrar uma parada do orgulho gay canino na casa deles, porque a repressão de C foi extremamente severa.

E aí, meu amigo, não há movimento reivindicatório que não tenha um pé para surgir!

Abaixo, retrato falado de um dos sem-vergonha (imagem denegrida em dogtimes.com.br)

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5 comentários em “NOVA PARADA NAS PARADAS (Shame and scandal in the family)

  1. Sheila disse:

    Zinzin morde a fronha.

  2. Kkkkkkk…devem ser os ares bonjesuenses, que são propícios a estas devassidões homoafetivas. Mas o danadinho tem cara de gay mesmo, lembra o Clodovil!

    • Saint-Clair Mello disse:

      Os ares aqui, Zatonio, estão infernais, sem indicação nenhuma para este tipo de desfrute.

  3. veronica Machado de Mello disse:

    Pior eu, que por esse motivo levei uma carcada da minha irmã C.
    Que eu podia fazer?? Coitadinhos rsrsrrsrsrs

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