TRÊS HOMENS (fábula moderna)

Viajam numa viatura
Em busca de seu roteiro
Três homens com seus pertences
Um viciado
Um agiota
E um homem de sentimentos rasteiros.
Para a viatura no posto
Na imposta barreira que se encena
E a polícia entra em cena
E revista o primeiro.
– Que trazes? – pergunta ela.
– Alguma coisa de cheiro!
Disse ele com um sincero tom matreiro.
E ao segundo, apavorado,
Apreende-lhe inopinadamente o dinheiro.
E quanto ao terceiro que faz ela?
Não se sabe por inteiro
Pois o homem nada tinha
Que pudesse interessar àqueles homens da lei.
Vinha vazio
De corpo e de sentimento
E isto era o pior que se podia levar.
Por isto foi conduzido a escuro cativeiro
De onde só sairia
Quando de valor apresentasse
O botim que lhes rendesse
As contas então por pagar
Os vícios a sustentar
Os bens que nunca teriam
Com seus salários minguados
Do suado fim do mês.
E todos ficamos reféns
Quando aos homens da lei
É tolerado errar.

Imagem em imotion.com.br

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