MÁRTIR DE SI MESMA

O homem é o único animal pretensioso. Não há outros, ainda que lhe sejam mais fortes, mais capazes, mais aptos, mais adaptados ao meio ambiente – se é que os há –, que tenham a pretensão como um de seus componentes psicológicos.

Julgamos tudo, afiançamos verdades insofismáveis, contestamos opiniões contrárias com argumentos imbatíveis e, comumente, condenamos o diferente, o estranho, o estrangeiro.

Pretendemos sempre estar com a razão – até mesmo eu agora, com esta argumentação.

Porém isto tudo me vem à consideração, após ler notícia no sítio UOL, de ontem, sobre a morte de uma jovem mulher australiana, Caroline Lovell (36 anos), após um parto em sua residência. Tendo passado mal, durante o nascimento de seu segundo bebê, foi levada às pressas para o hospital próximo, mas não resistiu e faleceu no dia seguinte.

Ela era uma das defensoras do parto doméstico. E se batia para que o governo australiano desse condições a que as mulheres pudessem ter seus filhos em casa.

Ora, meu caro leitor, este estágio – ter filhos em casa – já foi ultrapassado pelas conquistas médicas modernas. Tal prática só deve ser admissível, se não houver alternativa de melhor assistência médica para mãe e filho.

E a jovem mãe acabou sendo imolada pela defesa de um comportamento que, salvo melhor juízo, não dá as condições ideais para dar à luz um filho. Ela mesma é a dolorosa prova disto. Não que não morram mães em hospitais, mas há sempre a possibilidade de que os melhores recursos estejam mais à mão.

Às vezes, pagamos caro por aquilo que pretensamente temos como o melhor, como a verdade.

Foto de Andrey Yakovlev (em apm65.blogspot.com).

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