TEMPOS BICUDOS

Vejam só como as coisas andam nestes tempos.

O Vaticano está programando um simpósio contra a pedofilia.

Não bastaria o bom senso, o espírito religioso ou, até mesmo, um pito público, para que padres pedófilos parassem com suas práticas? É preciso fazer um simpósio para isto? Moisés, quando quis botar ordem na casa dos judeus, não fez simpósio nenhum. Subiu a um monte e voltou de lá com as famosas tábuas da lei e, a partir dali, ai de quem não as cumprisse. Iria para o fogo do inferno.

Como os padres hoje já não acreditam mais em inferno, céu, Deus e Diabo, fazem todo tipo de estripulia e levam o Vaticano a gastar dinheiro com uma coisa que poderia muito bem ser resolvida com um grito.

Por outro lado, o carnaval está aí roncando cuícas nas nossas portas e há uns e outros fazendo greve.

Aí fica difícil acomodar as coisas.

Mas, sem querer ser retrógrado ou conservador, acho que essas greves dos homens que andam armados já estão chegando ao status de sublevação.

Não quero dizer que não haja legitimidade em se lutar por direitos, por ganhos de salários, mas a ordem pública não pode ser submetida aos desígnios de uma categoria de profissionais.

Não se pode, penso eu, aceitar, por exemplo, que os servidores do Judiciário fluminense – e eu, apesar de aposentado, sou um deles – promovam uma greve que feche o trânsito das cidades, ou promova depredações e invasões de prédios públicos.

Há direitos e responsabilidades também na luta por direitos.

Este episódio da Bahia é bem sintomático do caos em que vive submergida a Segurança Pública brasileira, que, efetivamente, promove uma segurança de baixa qualidade, remunera mal seus agentes e leva as reivindicações da categoria além do limite que um estado democrático de direito possa suportar, tendo de lançar mão de ações violentas, para conter outras violências.

Aí chega-se ao ponto em que ninguém passa a ter razão.

E bastou para que os policiais baianos fizessem greve, para que o número de fatos delituosos tivesse um aumento considerável em Salvador, o que vem provar que, sem a vigilância do cacete e da borracha, muitos se dão o direito de praticar seus crimes indiscriminadamente, para fazer um trocadilho infame.

Não quero discutir aqui a posição que os partidos políticos tomam nessas situações, porque eles ficam na dependência de julgar os fatos, a partir do governador do seu estado. E isto demonstra apenas um oportunismo político condenável.

No entanto, como cidadão, vejo com apreensão a multiplicação de greves dos agentes de segurança e a virulência a que elas chegam.

É mais do que sabido que os salários no Brasil são muito baixos, para a nossa condição de sexta economia do mundo, tirante umas poucas categorias.

Contudo, se formos pensar assim, os professores teriam todo o direito de incendiar escolas e bibliotecas, porque são os profissionais mais mal remunerados, relativamente à importância que seu trabalho tem para uma nação.

E, apesar de todo o sofrimento da categoria e de toda a sua luta, não temos, entre os professores, o nível de virulência que encontramos com as categorias que portam armas.

Charge de Newton Silva, em ipiauonline.com.br.

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