SEXÍFERA

(Imagem em abobadariodamedia.blogspot.com.)

Seu negócio é sexo. Transa com sexo como quem vende feijão por atacado, comprado ao produtor. Ela mesma, propriamente, não se diverte muito com sua mercadoria, mas faz a felicidade alheia. E nem chega a ser cafetina. Não arranja mulher para ninguém. É serviço limpo.

Tinha começado, lá pelos fins dos 70, com um anúncio nos classificados de jornal, na sessão de massagistas: “Atenda suas fantasias sexuais sem sair do local de trabalho. Disque agora mesmo 69-6969”. Não chegou o meio-dia e ela já estava ao telefone, dando dicas, excitando o cliente. Só se esqueceu de que seu trabalho não lhe rendia nenhum dinheiro. Mas aproveitou para treinar bem nos ouvidos dos curiosos e tarados para, daí a algum tempo, anunciar: “Satisfaça suas fantasias sexuais através de fita cassete. Remessa pelo reembolso postal”. Coisas hoje já um tanto antigas. Na época, porém, choveu pedido. A cidade cheia de tarados e desviados sexuais. O negócio cresceu tanto que teve de montar equipe, uma pequena empresa de sacanagem oral.

Hoje vive bem instalada, apartamentão na Barra, excelente conta bancária, prestígio entre os aficionados, porém há anos não saboreia da fruta, simplesinha que seja. Está tudo lá nas mídias mais modernas, com rótulo, CNPJ, IPI e a saudável inscrição “Sexo também é cultura”, acrescida de “Isento de AIDS”.

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