RÁPIDAS ANOTAÇÕES DE ESPECTADOR

1. O primeiro show que vi, quando cheguei a Niterói e já um tanto habituado a circular por Niterói e Rio de Janeiro, foi o de Tim Maia. Isto se deu logo após o lançamento de seu primeiro disco, Tim Maia, de 1970. Foi no Teatro Opinião, que ficava num edifício da Rua Siqueira Campos, em Copacabana. Vi outros mais. Deve ter sido o artista de quem mais vi shows. E ele nunca faltou a nenhum deles. E não houve nenhum que tenha sido mais ou menos: todos ótimos!

Meu santo era mais forte do que as idiossincrasias do Tim.

2. Lá pela década de 80, eu e minha mulher subimos o Morro da Urca, para ver um show do mineiro Beto Guedes, já mais do que badalado.

Beto ficou famoso por sua timidez no palco.

A primeira parte rolava e, de vez em quando, alguém da plateia gritava:

– Aí, mineiro, manda Lumiar!

Ele, com aquele jeito sem jeito característico, passando a mão sobre os longos cabelos, dizia, com sua voz bastante nasalada:

– Vai rolar! Vai rolar!

Terminou a primeira parte e nada de Lumiar, certamente seu sucesso de maior apelo.

Voltam ele e a banda para o segundo set do show. Novamente a voz da plateia, agora mais incisiva:

– Aí, mineiro maluco, toca Lumiar!

Parece que foi provocação. Beto Guedes entrou com um arranjo rock’n’roll poderoso para sua música, que arrepiou todo mundo. Deve ter sido a execução mais poderosa que já ouvi.

Ao final, ouviam-se urros de aprovação da plateia.

3. Fomos eu e meu primo Roberto Bedu ver o show de Roger Waters – que ele sistematicamente chama de Rogério Águas –, na Praça da Apoteose, no Sambódromo do Rio de Janeiro, em 23/3/2007, em que o baixista e compositor do Pink Floyd apresentou o repertório da obra-prima The dark side of the moon.

Lá pela metade do show, cheio de recursos técnicos, um som poderosíssimo e efeitos especiais, no crescendo final de determinada música ouvimos um estrondo e as luzes se apagaram. Todo o público vibrou com o arranjo inusitado e ficou na expectativa da sequência da apresentação.

Passaram-se alguns minutos. Então Bedu e eu começamos a estranhar. Se era um recurso, um novo arranjo, o troço já estava demorando demais. Foi o que comentamos na hora.

Daí a alguns minutos, veio a informação do palco: um gerador do sistema elétrico não  suportara a massa sonora. Aquilo, portanto, não era mais uma invenção do rock progressivo. Foi um prosaico defeito técnico.

4. Teatro João Caetano, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro. Show da Gal Costa, que tinha lançado recentemente o elepê Índia (1973). O grande teatro estava lotado, tanto que eu e Jane só conseguimos lugares no mezanino. Entra Gal, com uma saia de tiras. Senta-se num banquinho alto, ajeita o violão e começa a cantar: pontas dos pés apoiadas nas travessas inferiores do banco, as suas lindas e roliças pernas abertas, expostas pela saia de tiras, em movimento ritmado de abrir e fechar, acompanhando o canto. De repente, da parte de baixo da plateia, uma mulher urra com toda a força de seu útero, ou de seu clitóris, sei lá:

– Gostosa!

Aquela louca teve a ousadia de vociferar um elogio que, da boca de um homem, soaria uma ofensa, coisa de porco chauvinista grosseirão. Mas aqueles já eram tempos de muita tolerância, e não se ouviu um protesto sequer.

Houve alguns segundos de perplexidade. Gal deu um sorriso amarelo, retomou o fio da melodia e continuou balançando suas lindas e maravilhosas pernas para o deleite dos marmanjos e de mais um bando de sapatões, naturalmente.

Rumbeira style, babados de lamê, pernas abertas, flores nos cabelos e violão no colo: a primeira montagem de

Esta foi a imagem que tivemos no show referido (foto do arquivo pessoal da cantora, colhida em galcosta.com.br).

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