HISTÓRIAS DE CRIANÇAS II

1. Meu sobrinho-neto Bento faz dois anos no princípio de março. Tem a avó materna a ajudar a filha em seus cuidados diários. Ainda mais agora que a mãe dele espera gêmeas.

Bento é um menino muito sério. Dificilmente ri. É como seu pai era, sem tirar nem pôr, inclusive fisicamente. Sua mãe até disse que vai mandar estampar uma camiseta branca anunciando: “Sou feliz, embora não pareça”.  E, além disso, é muito observador e tem lá suas tiradas engraçadas.

Há uns dois meses, sua avó resolveu dar um tapa no visual. Assim, cortou o cabelo, pintou as madeixas e aproveitou também para dar uma força na sobrancelha, que também já estava a lhe denunciar a idade de avó.

Chegou-se para Bento, que brincava com seus carrinhos, sentando no chão da sala.

– Olha a vovó, Bentinho!

Sério como é, olhou-a de lado, fez uma cara de estranheza e decretou:

– Vó, tá rororosa! – com os erres todos duros.

 

Bruno e Gabi em farra de balas em shopping da Barra (foto do avô).

 

2. Meu neto Bruno, que agora em março se aboletará sobre a longa experiência de três anos de idade, ganhou há cerca de três/quatro meses uma cachorra, para seu deleite e o de sua irmã Gabriela, moça de seus seis anos.

A conivência com a cachorrinha de nome Banana não é muito pacífica. Ocorrem sempre algumas escaramuças.

Um dia, alguém lhe perguntou por que ele mordia a cachorra. Ele, do alto de sua baixa estatura, disse com segurança, transformando o /m/ em /b/, como faz até hoje:

– Porque ela be bode!

Com ele, então, é assim: mordeu, leva mordida de volta.

 

3. Sua irmã Gabi, quando tinha quatro anos e já havia voltado de São Paulo, onde morara, para o Rio de Janeiro, reclamou com a avó, numa vinda de Botafogo para Niterói:

– Vó, Bumbinha me implica porque não sei falar tabralho! Aí a gente briga.

Bumbinha é como ela chamava seu tio Bernardo, mais velho que ela apenas cinco anos.

Então a avó, que também é fonoaudióloga, ali mesmo no banco de trás do carro começou os exercícios para que ela aprendesse e nunca mais “fosse implicada” pelo tio.

Antes de chegar ao vão central da Ponte, já quase em Niterói, Gabi sabia falar trabalho e até paralelepípedo, outra palavra que também era motivo de implicância de Bernardo.

 

4. Bruno foi para a escolinha pela primeira vez agora em fevereiro.

Como está numa fase de distribuir, a torto e a direito, mordidas na irmã e na cachorrinha Banana, foi recomendado a não persistir em tal prática danosa na escola, em cima de seus novos coleguinhas.

Eu mesmo lhe recomendei:

– Olhe, Bruno, não morda os coleguinhas, porque eles também vão morder você.

Como só ele é o autor das mordidas, respondeu-me com total convicção:

– Boder não dói!

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Veja também Histórias de crianças, publicado em 18/5/2010.

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