TECENDO LOAS À ROSCA BAROA

O título da postagem de hoje necessita de uma explicação, porque, caso contrário, fica parecendo que, de repente, este escriba ficou louco.

Vamos a ela.

Lá na minha vilazinha de Carabuçu, antiga Liberdade, a padaria do seu Chico Furtado, dentre outras delícias, fazia também uma rosca à qual dávamos o nome de baroa: a rosca baroa.

Era uma rosca salgada de calibre mais grosso e circunferência maior e tinha como grande característica não ter quase nenhum paladar especial. Garoto, eu a achava insossa, insípida e inodora, como aprendera no Grupo Escolar Marcílio Dias a classificar a água própria para o consumo humano.

Havia outras três roscas bem mais saborosas. Uma era a rosca amanteigada, menorzinha, de crosta dourada salpicada, brilhando de manteiga. Outra era uma rosca doce, mais consistente, que chamávamos rosca de leite. E uma rosca frita, semelhante ao bolinho de chuva, coberta por açúcar fino e canela.

Pois muito bem. Eu não dava a mínima para a tal rosca baroa, que se prestava, apenas, na minha cabeça, a fazer uma mistura que nomeávamos como solda (com o fechado), em que se mergulham pedaços de rosca ou pão em café com leite adoçado. A solda, preparada em uma grande caneca, é comida com colher, como uma sopa, e, no final, sorve-se o que sobrar de líquido.

Assim, na minha cabeça de criança, não havia motivos para se comer rosca baroa, a não ser na solda.

Coitada, era uma rosca sem graça!

Agora há pouco, dando uma passada pelo Facebook, encontrei alguns amigos flamenguistas (ninguém é perfeito, nem mesmo eu!) tecendo loas à vitória do Urubu sobre o Pó de Arroz, por 2×0, partida válida pelo segundo turno do Campeonato Carioca, a Taça Rio de Janeiro, jogada ontem no Engenhão.

Alguns, em seus comentários, tanto se ufanam, que dão a impressão de que o time do Flamengo ganhou o campeonato mundial interclubes. Outros dizem que seu time é o fodão do Rio de Janeiro, num acesso terrível de amnésia, já que ele foi eliminado da fase decisiva do primeiro turno e estava em situação melindrosa neste segundo turno. Ele pode mesmo vir a ser campeão, mas não pelo jeito como tem jogado até o momento.

Não vou aqui dar seus nomes para execração pública, porque tenho por princípio não delatar amigos ou inimigos, que não tenho (não sou delator!). Mas isto dá para constatar como torcedor está mais para distorcedor.

Distorce-se a realidade por mero placar de um jogo de significado menor no conjunto da obra geral do campeonato. E isto apenas porque o jogo é considerado um “clássico”.

E ganhar um clássico faz com que uns e outros achem que ganharam a copa daquela marca japonesa de automóveis.

É, mais ou menos, como perder tempo tecendo loas à rosca baroa.

Menos, flamenguistas, menos, porque o seu time é bem ruinzinho! E o R10 está mais para Rˉ10!

Em vez de ilustrar esta postagem com imagens desagradáveis dos feiosos jogadores do time da Gávea, preferi escolher a foto de uma de suas musas (felizmente mulher bonita se espalha mais que gripe suína neste país): Nathalia de Oliveira (globoesporte.com).

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PS: Meu time empatou no sábado com não sei que time, nem me interessa. Mas jogou mal pra caramba. Talvez isto explique um pouco este meu derramamento de bílis.

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