VOU LER CARAS E CONTIGO

Edvard Munch, O grito, 1893 (se não roubaram, está num museu em Oslo).

Há horas em que ler jornais dá um desespero medonho, a se crer no que eles veiculam.

Só pelas manchetes, é possível traçar um quadro sombrio, tipo O grito, aquela pintura do norueguês Edvard Munch (veja sua reprodução acima), e a gente tem vontade de sair correndo.

Não dá para acreditar que tantas coisas ruins possam acontecer ao mesmo tempo e tudo parecer que corre às mil maravilhas, só porque seu time ganhou no clássico de ontem; só porque eu consegui chegar a casa sem maiores atropelos – a não ser os normais; só porque o planeta ainda continua no eixo.

O baixinho Romário, por exemplo, soltou o verbo para cima da saída de Ricardo Teixeira, ex-ditador da CBF, e fez uma brincadeira infame com a doença que – parece – acomete aquele cartola: “Exterminamos um câncer no futebol” (JB online de ontem).

Por outra ótica, julga-se inoportuna a saída de Teixeira quase às vésperas da Copa de 2014 e com o estado de sucumbência em que se encontra a Seleção nacional.

Talvez ganharmos a Copa não seja possível como as coisas andam. Até mesmo completar as obras necessárias a receber a multidão de turistas a desembarcar por aqui.

Aí temos as notícias que vêm do Oriente Médio. Nenhuma boa.

Aliás, de lá, a última notícia boa foi a anunciação do anjo a Maria. Desde então, só vem pepino. Inclusive uma, com quase dois mil anos, continua rendendo confusões generalizadas, gritos e bochichos: a condenação à cruz de um certo nazareno.

Voltam palestinos a jogar foguetes em israelenses, que por sua vez jogam foguetes em palestinos, e vice-versa, per omnia saecula saeculorum. Tirante toda a carga ideológica moderna, que vem de pouco mais sessenta anos para cá, esses povos se estranham há milênios. Às vezes, me dá uma má vontade danada.

Um militar norte-americano assassina impiedosamente dezesseis afegãos. Há massacres na Síria. E de lá também mais essa agora: “Esposa ciumenta revelou localização de Osama, diz fonte” (O Globo online). Mulher ciumenta é mais letal que vírus influenza.

Aí o dólar tem forte alta no Brasil, e acho isso péssimo. Mas há muitos que acham ótimo. Tenho a impressão de que o Brasil é um dos poucos países do mundo a querer ver sua moeda fraca. E não adianta os economistas tentarem explicar, que continuarei sem entender tal lógica.

E a presidente Dilma aperta o cerco ao PMDB. E o Imperador perde o contrato com o Corinthians. E incendeiam mesquita na Bélgica.

Só falta aparecer amanhã uma manchete dizendo que Michel Teló emplacou outro megaestrondoso sucesso, para reforçar o prestígio do Brasil no concerto das nações.

Aí não dará para aguentar, meeeesmo!

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