“MANUAL DE ALTA-AJUDA PARA BAIXINHAS”

O espaço deste blog foi cedido hoje, em caráter excepcional, para minha amiga loura natural nº 7 de L’Oréal Paris, Imédia Excellence, Vai Macambira, que julga ter um auxílio importante a oferecer às pessoas que se sentem baixinhas, mesmo sem o ser.

Vai fez o curso de deglutição atípica e pós-graduou-se em graduação alcoólica, com foco em aliteração fonética.

Passo, então, o texto para Vai Macambira.

———-

Imagem em cronicasdeumameninafeliz.blogspot.com.

Olá, amiga do peito que se sente baixinha! Estou aqui para ajudá-la, com algumas dicas do meu manual de alta-ajuda, isto é, ajuda para que você fique alta, sem usar recursos que possam pôr em risco sua integridade física, como salto agulha.

Aqui vou fazer meu merchandising: Esse meu manual será lançado proximamente num salão de estética espiritual da Galeria Menescal, em Copacabana. Depois aviso a data.

Voltemos, então, ao que interessa.

Aliás, quero lhe dizer que salto agulha em baixinha é um horror. Nunca use. A baixinha fica parecendo a Dona Baratinha. Lembra-se da história da Dona Baratinha, com fita no cabelo e dinheiro na caixinha? Pois é. Aqui não vai ter nada disso, que depois não quero ser processada por ninguém: vai que você se estabaque no chão. Deus me livre!

Em primeiro lugar, pare com essa mania de se achar baixinha. Baixinha é um conceito abstrato, subjetivo e está mais nos olhos dos outros do que em você mesma. É como a beleza, que está nos olhos de quem vê.

Eu mesma, por exemplo, que jamais fui baixinha – desde que nasci, já vim ao mundo espichada e esbelta – nunca tive complexo. Sempre vejo os outros de cima. Ou de um salto 15, ou de um degrau, ou de uma escada, ou de um carro importado, que é melhor ainda.

Assim, aconselho a você, logo que acordar, ir para diante do espelho e dizer assim:

– Sou alta, nem que seja só por hoje!

E repita esta frase todos os dias de manhã.

Este tratamento inicial, devo confessar, foi uma ideia que tirei quando frequentei alguns grupos aí que não quero nomear já que é tudo anônimo. Mas dá um resultado maravilhoso, pois logo cedo você já pode vencer os lances de escada até a rua, tocando um só pé em cada degrau alternadamente. E parar com essa mania de pôr os dois pés num degrau, para, só assim, atingir o outro.

Se, para ir ao trabalho, você necessitar de pegar coletivo – vamos combinar, é um horror! –, a situação indica que você não deverá usar aquelas saias e calças apertadas de periguete, senão compromete a subida no – argh! – coletivo. Se tiver sua própria condução, pode ir como quiser. Aconselho, no entanto, a comprar uma almofada com microbolinhas num desses quiosques de shopping, para que você não fique apenas com a cabeça aparecendo na janela do carro. Mulher baixinha em fusca, por exemplo, é um horror! Nunca deixe que isso aconteça com você!

Ao chegar ao prédio onde trabalha, jamais seja a primeira da fila do elevador, porque os outros podem reparar, e também você não correrá o risco de não alcançar o botão do último andar onde trabalha. E procure ficar longe da botoeira. Peça, então, a alguém que aperte o botão para você:

– Por favor, pode apertar o 55º.

Mas também é preciso colocar-se estrategicamente na cabine do elevador, para, em caso de evacuação urgente, por qualquer motivo, você não ser pisoteada pelos demais passageiros, que podem não perceber sua presença.

Na empresa em que trabalha, exija sempre uma dessas cadeiras de altura regulável. Se a empresa não fornecer, adquira uma no comércio local e diga para os colegas que é porque você tem problemas estruturais na coluna e não pode se sentar em qualquer cadeira. Mas tenha o cuidado de não ficar balançando as perninhas no ar, porque isso é dar bandeira.

Por fim, para completar as orientações para o seu dia, na hora da happy hour mande ver nas bebidas de teor alcoólico mais elevado. Necessariamente você ficará alta e aí não notará nada de errado com sua reduzida estatura, não é mesmo?

E, quando aquele amigo baixinho que vive azarando se oferecer para levá-la em casa de táxi, diga no seu ouvido, para que ninguém a julgue deseducada:

– Sai para lá, tampinha. Veja se eu dou confiança a baixinho!

Mesmo que você tenha acordado baixinha, nesta hora dormirá alta.

Bons sonhos!

———-

PS: Quero agradecer à gentileza do meu amigo Saint-Clair, que me cedeu seu espaço por hoje, para esses conselhos. Você é gente fina, viu? Passa lá em casa para um vinho, mas não diga nada à sua mulher, hem!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s