COITADA DA SACOLA PLÁSTICA!

Todos estão carecas de saber que usos e costumes são produto do tempo. Ou, antes, estão atrelados ao tempo. Algo que pode ser habitual e costumeiro agora, daqui a dez anos, pode não ser mais. Ou um hábito de dez anos atrás necessariamente pode não estar na moda e ter caído em desuso. E isto acontece com tudo.

Na verdade, o ser humano é um bicho temporal. Preso a seu próprio tempo. Uns podem até ter nostalgia do ontem; outros podem ter saudades do futuro. Contudo, o normal é que sejamos agarrados ao tempo presente, ao que nos incomoda agora, ao que nos faz felizes neste momento.

Tudo, em nossa vida, é mais ou menos deste modo. E isto não está errado!

Até nossa postura política, nosso gosto estético, nosso engajamento social transitam por aí.

Sou de uma geração que foi submetida, por exemplo, a uma campanha massiva pelo não uso de sacolas de papel nos supermercados, em nome da ecologia, da preservação de nossas árvores. Tais sacolas – comedoras de milhões de árvores em sua fabricação – deveriam ser substituídas por sacolas plásticas, fabricadas com um subproduto do petróleo.

Imagem em cidadaniaeecologia9.blogspot.com.

Assim, aos poucos e depois com uma data marcada, os supermercados pararam de acondicionar as compras de seus clientes nas tradicionais sacolas de papel.

De início, era comum ouvirem-se reclamações pela mudança. Tudo em função do hábito que tínhamos em levar as compras para casa naquelas sacolas.

O tempo passou, habituamo-nos com a troca e ficamos felizes por salvar milhões de árvores do nosso Brasilzão lascado, sô!

Agora a campanha da moda, a postura que se exige, até com certa virulência de alguns, é que as sacolas de plástico sejam banidas. Seu uso é pernicioso para o meio ambiente. Ela leva não sei quantos anos para ser degradada no meio ambiente. E, enquanto tal degradação não ocorrer, ela é um elemento potencialmente prejudicial.

Daquela primeira campanha – a da sacola de papel – para esta – a da sacola de plástico –, devem mediar uns trinta anos, mais ou menos. Pelo andar da minha carruagem particular, ainda terei tempo de ver outra campanha daqui mais trinta, contra isto que irá substituir as sacolas de plástico, em nome de uma nova ecologia, mais adequada ao futuro.

Na verdade, caro leitor, o grande problema do meio ambiente é o ser humano. Se não formos educados, sob todos os aspectos, pode-se trocar o que for, e os problemas continuarão a crescer, mais e mais.

Se não tomarmos consciência seriamente de que somos a desgraça e a salvação do planeta, de nada adiantarão campanhas pelo não uso disto, ou pelo uso daquilo.

Enquanto jogarmos, ainda que seja, uma binga de cigarro no chão aleatoriamente, a sacola de plástico não será a única culpada.

Tudo o que se pretende de ação neste sentido estará fadado ao fracasso, se, antes, não se educar o cidadão.

E posso lhe dizer com uma franqueza que me entristece: o brasileiro é muito descuidado neste aspecto. Tem muito pouco apreço pelo espaço que ocupa. Pois vejo, com muita frequência, pessoas atirando toda sorte de lixo em qualquer lugar. Até mesmo ao lado de uma lixeira, chega-se a atirar o lixo no chão.

E, aí, não há sacola de plástico que possa ser a única vilã da causa ecológica.

E todos os demais produtos de plástico devem desaparecer? Ou só as pobres sacolas?

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PS: Não quero nem tocar na questão do descarte inadequado do lixo recolhido pela maioria das prefeituras do país. Isto é um assunto complicado demais para minha vã pretensão.

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