SEGUNDA-FEIRA COMO OUTRA QUALQUER

Hoje não amanheci com muita disposição para escrever nada.

Às vezes isto ocorre.

Mas, sobretudo hoje, depois do jogo de ontem entre Botafogo e Vasco, fiquei triste, acabrunhado, macambúzio. Coisas desta natureza, mais ou menos por aí.

É que ontem havia comprado no mercado um pacote de bacalhau gadus morhua, bonito, lombo de dois a três dedos de espessura, sem levar em conta o jogo da noite contra o time de São Janu. Então examinava a mercadoria com certos olhos cobiçosos e já imaginava o prato saboroso que iria fazer com o bacalhau na Semana Santa, como é da nossa tradição.

Até aí estava inocentemente comprando um bacalhau. Mesmo eu sendo botafoguense de três gerações: meu saudoso avô Chico Albino, meu querido pai com seus noventa e quatro anos e eu, com meus sessenta e tais (A coisa segue para meu filho e meus netos). Enfim, ali eu não era o botafoguense. Era apenas um apreciador do peixe.

Então olhava, girava o pacote para examinar de um e outro lado, sentia a consistência da carne, cheirei para conferir a qualidade, e achei tudo muito bom, tudo muito bem.

E olhem que, até então, eu estava fazendo tudo isso inocentemente.

Trouxe o pacote com cerca de dois quilos para casa, mostrei-o à minha mulher vascaína, que gostou da peça e logo foi dizendo como iria fazê-lo:

– Vou fazer aquela mousse de bacalhau de que todos gostam! – disse entusiasmada.

E reparem que ela também não havia atentado para que, daí a algumas horas, a bola iria rolar no Engenhão.

Resolvi guardar o bacalhau bem embrulhado, para que não cheire, na geladeira e saímos para almoçar num restaurante, acompanhados de meu sobrinho-neto, também botafoguense, já referido por mim em postagem anterior.

Mas alguma coisa me levava por onde não atentava e acabei comendo um lombo de bacalhau assado, com molho de ervas finas, cebola, alcaparra, alho frito, tudo mergulhado num espesso azeite extravirgem. Confesso que estava muito bom.

Porém até aí eu, minha mulher e meu sobrinho continuávamos inocentes, sem prevenções de nenhuma espécie, deslembrados de bola rolando e coisa e tal.

Até que chegou a hora do jogo e fui entender por que razão o destino, a moira, o fatum, o que lá seja, me encaminharam desde cedo – desde a gôndola do supermercado, passando pelo almoço – até o fim da partida: traçamos um bacalhau com cabeça e tudo. Inclusive até contra a má intenção de um árbitro muito do suspeito, como comentei com o amigo Zatonio Lahud, botafoguense equilibrado como ele só (v. Interrogações).

Se desse tempo de dessalgar o que trouxe do supermercado, certamente estaria comendo novamente bacalhau no almoço desta segunda-feira. Que não é como outra qualquer em hipótese nenhuma!

Se você for botafoguense!

Dá-lhe, Fooooogo!

 

Imagem em fogaonet.wordpress.com.

2 comentários sobre “SEGUNDA-FEIRA COMO OUTRA QUALQUER

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