O SISTEMA MÉTRICO NO BRASIL

O brasileiro tem a capacidade de esculhambar tudo. Este é o traço mais característico de nossa personalidade.

Lembro-me de minha mãe, católica fervorosa, comentar comigo, ainda criança, que ela não tinha medo do Comunismo, o grande inimigo da Cristandade no século passado (Hoje os padres e os pastores se ocupam desta função!). Ela dizia que, em pouco tempo que o Comunismo aqui se instalasse, os próprios partidários dariam um jeito de esculhambar com ele. É uma coisa atávica esta nossa propensão à bagunça, ao esculacho.

Esta consideração inicial serve de introdução para comentar a notícia veiculada pelo jornal O Dia de ontem, que informa sobre o “quilo mais pesado” que prestadora de serviço de lavagem de roupa de hospitais públicos passou a adotar.

Mesmo com a diminuição de pacientes na rede hospitalar (Ora, ninguém ficou curado, não! É que eles não estão atendendo mesmo!), a conta do serviço aumentou cerca de 50%, porque o peso da roupa passou a ser mais pesado.

Deu para entender?

Isto, no entanto, não é difícil de explicar. E a prática vem de muito tempo. Desde quando, no século XVIII, se resolveu adotar o chamado sistema métrico decimal. Logo alguém tratou de adulterá-lo. No Brasil, ele assim passou a ser o sistema métrico desce mal.

Quantas vezes, por exemplo, ouvimos histórias de se molhar o papel velho vendido para reciclagem, a fim de que houvesse um aumento de seu peso? Quantas vezes aquele comerciante resolveu dar uma ajuda à sua balança, para fingir que o quilo da batata chegasse às 1000g? Quantas vezes o revendedor de carro usado não deu uma guaribada do hodômetro daquele carro que era o seu sonho e lhe foi vendido como carro de garagem (Puxa, está como novo! É carro de garagem, madame! O proprietário preferia andar de ônibus, por isso a baixa quilometragem!)?

E os litros de 900ml? E o leite batizado com água, que não chega a um litro de leite verdadeiramente? E a bomba de gasolina que finge colocar vinte litros de gasolina no seu carro e só coloca dezessete, mas você paga por tudo?

E o caso do pão industrial que cortou em 50% a gordura, apenas porque diminuiu a quantidade de fatias na mesma proporção, mas manteve tudo como antes no pãozinho de Abrantes?

Quando ainda estava no batente, algumas vezes chegavam às minhas mãos solicitações para instalação de persianas em gabinetes, secretarias, fóruns, etc. Vez e outra, apareciam duas medidas diferentes. Sempre devolvia o processo, solicitando esclarecimento sobre qual a verdadeira medida e o porquê da discrepância. A resposta do chefe do setor, a quem cabia a informação, frequentemente dizia que a diferença se devia a critérios distintos de medição. Ora, bolas! O critério de medida de extensão não é o metro? Como pode haver distinção de critério nesses casos? Todos os metros não têm 1000mm?

Agora, então, vem a notícia estampada no jornal de que o quilograma da roupa para a empresa de lavagem industrial que presta serviço para hospitais públicos é mais pesado que os demais: equivale, mais ou menos, a 1580g.

Somos ou não somos os reis da esculhambação?

E, neste caso específico, a esculhambação não é gratuita. É amiga da fraude e da safadeza.

Eh, Brasilzão lascado, sô!

PS: Procurei no Google por “balança fraudada”, para ilustrar esta postagem, e apareceu a linda Carol Castro aí nesta pose. Não resisti e preferi deixar assim mesmo. Quem sou eu para contrariar o Google? E acho que até ficou muito melhor, né não, leitor? (imagem em eduardoferreira.wordpress.com).

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