DEMÓSTENES E A LÂMPADA PERDIDA

Demóstenes não é Diógenes, mas são gregos ambos. Porém o primeiro está mais sujo que pau de galinheiro, por estas plagas. Seu xará grego, também político e grande orador, deixou-se envolver em denúncias de corrupção durante o mandato e teve um final de vida atribulado, com o suicídio como epílogo.

Para quem se comportava como paladino da Ética, a situação do nosso Demóstenes atual está grega. Pego no contrapé com denúncias diversas de ligação com notório contraventor de Goiás, o senador por aquele estado está acuado, quase sem falar. E, o pior, em vias de ser abandonado em seu próprio barco reluzente de denúncias em pleno mar bravio.

Seu companheiro de bancada e de partido, Agripino Maia, em entrevista exibida hoje pela manhã pela rádio CBN, já deu mostras de tirar o cavalinho da chuva e deixar o colega explicar-se.

No que faz muito bem. Não foi ele quem se meteu em ligações suspeitas, com prováveis afrontas à ética? Então que aguente!

Não que Agripino Maia seja uma vestal, embora até o instante nada de grave contra ele pipocou na mídia. Contudo, se sua atitude é esta, imagine o que não pode ser ainda revelado pelas investigações que já estão em curso, para apurar as denúncias contra Demóstenes?

E para quem Demóstenes pode recorrer, em sua defesa, para justificar tantas suspeitas? Está recorrendo, justamente, ao senador Renan Calheiros, como informa O Globo online de hoje.

Aí, companheiro, é quase uma confissão de culpa. Recorrer a Renan não recomenda em nada a defesa de ninguém, vamos combinar. Ele é uma das figuras mais lamentáveis do cenário político brasileiro, a despeito de ter uma história inicial de luta contra a ditadura militar, mas que se perdeu ao longo dos caminhos tortuosos, infectos e sedutores da política brasileira.

Renan é um dos exemplos de quem se perdeu em meio ao poder. Aliás, como ocorreu com vários outros.

Ou talvez eu esteja sendo ingênuo: ele não se perdeu; já era assim mesmo e procurou o caminho para chegar até onde chegou.

Agora Demóstenes, até há pouco o ético, está pedindo a lanterna de seu conterrâneo Diógenes, para procurar onde está sua perdida honra, sua imaculada figura.

Danou-se, Demóstenes! Atualmente sua credibilidade não está pagando nem placê, como diriam os chegados às patas dos cavalinhos. Sua austera figura desceu cachoeira abaixo e vai-se perder no mar de lama de Brasília!

Só não creio que, como seu xará grego do século IV a.C., tomará veneno, ao se ver na iminência de ser pego por seus inimigos.

Demóstenes, o grego (em pt.wikipedia.org).

 

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