BUCÓLICA

(Para Rogério Andrade Barbosa, de quem ouvi a frase motivadora deste poema.)

No bucólico refúgio em frente ao lago,
Longe de todos os conflitos
Da insana balbúrdia cosmopolita
Que emprenha de ruído seus ouvidos,
Descansa o homem de suas aflições
E das paranoias da cidade grande.
Diante de si se descortina o horizonte.
A noite calma desce do céu aos poucos,
Tingindo de negrume toda a paisagem,
E uma multidão de estrelas faísca no infinito.
É quase o paraíso:
E, no entanto, só dá mosquito!
E o homem entra em desespero
Com as muriçocas, os borrachudos,
Os pernilongos e um sem número de outros insetos
Que lhe entram na boca,
E lhe sobem as pernas,
Invadem seus cabelos,
Se banham em sua taça de fino vinho tinto.
E o homem sente saudades dos atropelos da cidade,
Seu caos moderno,
Os desatinos do trânsito neurótico.
E tem desejos de um café expresso
No aconchego de uma poltrona larga
Da livraria cheia de estilo,
Sob os auspícios de um ar gelado.
E, no entanto, ele está perdido,
Pois pagou antecipado
Pelo pacote tão sonhado de ecoturismo,
Longe do bicho homem e seus problemas.
E, no ostracismo que se impôs de tão bom grado,
Ele lamenta naquela noite lenta
De céu todo estrelado,
Em pleno paraíso,
O fato que o deixa exasperadamente aflito:
Só dá mosquito!

Jalapão (imagem em blog.deville.com.br)

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