CRÔNICA DE ONTEM: O BARÇA PERDEU. VIVA!

Acabei de ver o jogo entre Barcelona e Chelsea, pela semifinal da Liga dos Campeões da Europa. A partida foi disputada na cidade espanhola, no Camp Nou, que conheci por fora na única vez em que estive na Catalunha, em 2003.

Confesso que torci pelo time inglês.

É que já não aguento mais aquele tipo de jogo do Barcelona, de retenção de bola, de toque para o lado, de domínio de jogo e de vitória. Até há duas/três semanas, quando o Barcelona jogava, você só assistia aos jogos para saber por que placar ele venceria. E só o Barcelona jogava. O coitado do adversário entrava em campo para não perder por WO. E assistia, também, à partida. Como ocorreu com o Santos, que se acovardou na final do mundial interclubes de 2011.

Para o futebol, este tipo de jogo desenvolvido por Pep Guardiola e seus comandados é maçante, soporífero.

Futebol não é curso, não é aula, não é ensinamento, em que o mestre fala e os alunos anotam e tiram suas dúvidas. Futebol é jogo, é disputa, é contenda, é refrega, é batalha em torno da posse da bola e sua entrada gloriosa na rede adversária.

Por isso, é necessário que, do outro lado, esteja alguém para disputar a posse da redonda e tentar metê-la no gol do outro. Fora disso, fica chato. Aliás, qualquer esporte é assim. Lembro-me de que, nas poucas vezes em que quis jogar sinuca com meu primo Zé Fábio, ele fez corpo mole, porque do outro lado – eu – estava um pato. E jogar contra pato é triste, lamentável: só um joga. E ele é exímio jogador de sinuca. Jogava apenas para não estremecer os laços familiares, bom primo que é.

E, depois, voltando ao caso do time catalão, ainda há o endeusamento que se faz ao Messi. Claro que ele é o maior jogador da atualidade, mas padece do defeito inato de ser argentino e saber jogar mais que nós mesmos. Aí isto me dá uma má vontade danada para assistir aos jogos, sem que fique torcendo para que tudo que ele e seus companheiros façam dê em nada.

Como no pênalti de hoje, que ele cobrou com um chute forte, alto, fazendo com que a bola se chocasse com o travessão e, em seguida, fosse aliviada pela defesa. Ou com sua própria atuação, que não teve nada de excepcional. Os ingleses não o deixaram jogar.

Aí me dirão os propagadores do óbvio (Estou tentando imitar o grande Nelson Rodrigues.) que o Chelsea fez o antijogo. Trancou-se na defesa e aproveitou os poucos contra-ataques que o Barça permitiu. Durante bom tempo da partida, a metade do campo – a defesa do Barcelona – parecia um descampado, tendo como vivalma somente o goleiro.

Ficheiro:Chelsea FC.svg

Imagem em pt.wikipedia.com.

Pois foi exatamente isto que o time inglês fez. E o fez com tanta competência, que acabou por anular a superioridade do time espanhol e se classificar para a final da Liga dos Campeões.

O Barça, com todo o seu maneirismo tático e técnico, com todo o gongorismo de suas atuações recentes cheias de filigranas, esbarrou no realismo do ferrolho inglês, que tirou partido dos vacilos catalães. E, vamos ser sinceros, com dois golaços! O primeiro, do Ramires, então foi uma pintura, “à la Messi”, como disse o esgoelante narrador da tevê, aos 46min. O segundo foi de Torres, que entrara um pouco antes, já nos acréscimos, e também muito bonito.

Eu, recostado confortavelmente na minha cama, gostei muito. Sobretudo porque aquele primeiro foi de um jogador brasileiro muito do arisco, muito do competente também e sem a badalação em torno de si.

E agora, após também a derrota contra o Real Madrid por 2×1, em seu próprio campo, no sábado, o azul-grená da Catalunha pode marcar um amistoso com o rubro-negro da Gávea, já que ambos estão de férias.

Eles fariam o jogo da mútua entrega do chororô!

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