VIDA E MORTE: DIGRESSÃO FILOSÓFICA EM TEMPO DE FUTEBOL

Vida é um negócio esquisito. Quando você menos espera, ela vai embora e o deixa na mão, em decúbito dorsal, canela espichada, mãos postas sobre o peito, aquele ar angelical rodeado de flores tristes, para enganar a chusma de ectoplasmas que provavelmente não vai estar do outro lado dos rios Estige e Aqueronte para o receber.

Talvez você não carregue nenhuma alma que mereça esta deferência.

E aí você fica como um pião, rodando pelo éter infinito, sem paragem, pior que galinha de piolho ou fugitivo de zona de conflito.

Melhor, então, é não morrer, ou, por outro lado, manter a vida, segurar as pontas, enquanto puder. Do outro lado, os pedágios são muito estranhos, insondáveis.

Eu mesmo não acredito que meu possível espírito encontre lugares para se encostar. Não irei para o lado de lá para trabalhar por ninguém. Já fiz isto muito por aqui e não deu em nada.

O sero mano (segundo grafia de um vestibulando) não quer nada com a Voz do Brasil e prefere sair atrás de trio elétrico, vestido com aquele abadá ridículo, mal colorido, mal pintado e porcamente talhado, cantando músicas que não dizem absolutamente nada de proveitoso. Em vez disso, podia pegar no cabo da enxada e ir construir este país que precisa de mais dinheiro, pagar entregar na mão dos corruptos incansáveis.

Veja, então, prezado leitor, que de nada adiantará também seu trabalho, sua preocupação, seu denodo (e outras qualidades mais que estão nos hinos patrióticos), para a salvação nacional, enquanto estiver vivo.

E aí caímos na dúvida eterna: viver ou morrer.

Eu, por exemplo, já morri de rir, já morri de medo, já morri de dor, já morri felicidade, entre outras mortes possíveis enquanto se é vivo. Portanto não preciso mais morrer. Já o fiz suficientemente! E, como estou aposentado, não trabalho mais para encher o rabo de ninguém de dinheiro. A minha cota esgotou-se.

Vou, então, aproveitar o momento para abrir um bom vinho e ficar esperando que a vida continue aprontando das suas.

Bom fim de semana para todos, e amanhã, no primeiro jogo do Campeonato Carioca, que vença o melhor: o meu BOTAFOGO.

Imagem em jocapoeira.wordpress.com.

Anúncios

Um comentário em “VIDA E MORTE: DIGRESSÃO FILOSÓFICA EM TEMPO DE FUTEBOL

  1. FOGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s