AGORA ESTOU DESPREOCUPADO

Os que me dão a honra de ler as bobagens que posto aqui neste blog  já devem ter percebido a minha preocupação com o fim do mundo.

Há tanta gente que alardeia isto, desde os tempos mais remotos, que a coisa é recorrente.

Tenho mesmo a impressão de que, tão logo o Criador terminou sua obra e botou a primeira família no Éden, daí a pouco, começaram os boatos de que o mundo iria ter um fim. E, se não erro, pode muito bem ter partido da descendência de Caim – algum parente dele, ou até ele próprio, em reação à punição sofrida – a desconfiança com a qualidade do serviço do lá de cima.

Mesmo os livros sagrados de diversas religiões vêm com esse papo. Mas esses, com certeza, usam tal argumento com o intuito de manter seus seguidores no cabresto, tipo assim (esta expressão está na moda):

– Olha bem, Mané, que o mundo vai-se acabar. Abre teu olho! Toma tento, que, quando isso acontecer, tu tens de estar preparado para a glória final. Caso contrário, arderás na condenação eterna.

Desde que nasci, fui assolado por esse tipo de boato. A minha infância era assombrada pela frase soturna “De um mil passará, a dois mil não chegará”, que, durante tempo, não era apenas uma rima, mas uma desgraça anunciada.

E Nostradamus e seus seguidores, então? Todos os dias há alguém interpretando a palavra poética misteriosa do bardo, para estabelecer novas catástrofes, novos finais da humanidade. Chegam as datas previstas, nada acontece, eles fazem releituras e veem que entenderam errado.

E vão continuar entendendo errado. Mas estarão sempre aí para nos deixar com a pulga atrás da orelha.

Contudo Nostradamus perdeu um pouco de prestígio para os Maias. Esses entraram na moda há menos tempo que Cancún: há uns quatro anos, por aí! E logo com a previsão que os entendidos de sempre descobriram em seu calendário, segundo a qual o fim seria/será neste ano – 2012. Sem dar tempo a que façamos a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2015, o que, convenhamos, seria uma sacanagem com nosso país, logo agora que ganhamos tais “privilégios”.

Ainda bem que os aproveitadores de sempre não acreditam nessas patuscadas e trataram de dar sequência a esta séria de oportunidades de se locupletarem ainda mais, com o dinheiro posto à disposição para a montoeira de obras exigidas pela FIFA e pelo Comitê Olímpico Internacional.

Pois agora vêm os pesquisadores informar (leia aqui) que acharam nas ruínas maias de Xultún, na Guatemala, calendários astronômicos com projeções para sete mil anos, o que daria uma rebarba de mais de mil anos, para que possamos continuar fazendo besteiras.

E – o pior para os arautos da hecatombe final – esclarecem que os Maias entendem apenas como mudanças de ciclos aquilo que interpretamos como fim do mundo. Isto só vem provar que estamos, cada vez, menos alfabetizados, incapazes de ler um texto com correção.

Mas sou capaz de lhes dizer outra coisa: daqui mais alguns anos, surgirão novos pesquisadores para dizer que isso que pensamos serem inscrições de calendários astronômicos dos Maias, encontradas em paredes milenares, não passam de simples e prosaicos jogos da velha, que eles já haviam inventado há muito tempo.

Quem viver verá. E, por isto, estou muito despreocupado!

Um dos últimos Maias concentrado, fazendo suas previsões (em depredando.blogspot.com).

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