A NOVA TRAGÉDIA GREGA

A Grécia, como ocorreu na época clássica, volta a encher o mundo de tragédia, sobretudo a Europa.

Como sabemos pela História, a Grécia nunca foi forte na Comédia. Sempre tendeu mais para a Tragédia. Embora tenha criado o símbolo do teatro com as máscaras conjuntas das duas artes.

Imagem em historiadigital.org.

Enquanto as tragédias clássicas são peças de um trabalho artístico insuperável – são atuais mesmo hoje –, a tragédia de agora, engendrada pela inépcia e pela corrupção de um bando de políticos, cujos nomes passarão à posteridade de uma forma inglória, é uma peça de mau gosto. Diria mesmo, de péssimo gosto!

Aquelas, quando encenadas nos belíssimos anfiteatros a céu aberto, a par de infundir na plateia certo temor, pela precipitação de acontecimentos não auspiciosos, também tinham um sentido pedagógico e religioso. Assim, prestavam-se à educação e à religiosidade do povo, principalmente se pensarmos que não havia textos doutrinários escritos da religião antiga, que, assim mesmo, perdurou por cerca de cinco mil anos.

Esta de agora, tramada em ambientes luxuosos, fechados, administrativos, políticos, que deveriam ser insuspeitos, chega ao espectador, transformado no herói trágico, para jogar sobre seus ombros o peso de uma Moira nada mítica, mas, ao contrário, prosaica e identificável pelos nomes das últimas autoridades administrativas que conduziram o país a um beco quase sem saída.

Como sabemos, o herói da tragédia clássica não podia escapar à sua sina fatal, pois era como um joguete nas mãos dos deuses a lhe presidir o destino.

Nesta atual, o povo se submete, da mesma maneira, ao papel de marionete de deuses de carne, osso e falta de caráter, mas tem em mãos a resolução de seu destino, através da luta que empreende contra as medidas injustas que lançam sobre suas costas o ônus de todos os desmandos.

Se o herói clássico era totalmente submisso à Moira, o povo, herói moderno, pode, tem o direito e deve reescrever sua história trágica, para que mais tarde possa rir dos que os levaram à desgraça.

Foi a própria Grécia que também nos ensinou a força da Democracia.

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