WATERFALL NÃO DESPEJARÁ SUAS ÁGUAS SUJAS NA CPMI

Imagem em ubaturmirm.com.br (Foto de Renatinha, que não tem nada com o homônimo da que despenca na foto. Até as águas desta cachoeira são limpíssimas, como se vê.).

 

Hoje será mais um capítulo da história da carochinha em que, parece, está-se transformando a CPMI de Charlot Waterfall, vulgo Carlinhos Cachoeira.

Há inquiridor que tem um rol de cento e trinta e seis perguntas que fará ao suspeito, cujos advogados de defesa – até um ex-ministro da Justiça* – já disseram que ele não responderá a nenhuma delas. A desculpa é a de que ele não produzirá provas contra si.

Que me perdoem os juristas nacionais e o cuidado com que tratam das coisas legais, mas é um escárnio essa desculpa, que – sei – tem o respaldo da lei. De uma lei que foi criada justamente para dar azo a que se postergue, a mais não poder, o processo de investigação sobre delitos.

Carlinhos Cachoeira e qualquer outro suspeito produziram provas contra si, quando fraudaram, corromperam, desviaram e por aí afora. Lá – nas ações ilegais em que se meteram – é que estão as provas concretas de seus atos. Agora resta à lei e à vergonha assentá-las em letra de forma, para que sejam punidos.

Este tipo de benefício só é usado por culpados. Uma pessoa inocente não se furtará a responder a qualquer questionamento. Ao culpado, dão-lhe a chance de ficar calado, o que, para a opinião pública e o bom senso, já é a confissão de culpa, pois, como preceitua o dito popular, quem cala consente.

Então a CPMI, antes com a negativa da convocação de governadores a depor, agora tem todo o jeito de que acabará em nada. Serão suspeitos – nem todos, é claro – fazendo perguntas a suspeitos. Estes se calarão e todos se darão por satisfeitos. E, assim, do ponto de vista legal, descerá sobre a cambada que se mancomunou para o crime a indulgência plenária do nosso Congresso.

Já estou sentindo tal acontecendo. E, por antecipação, sinto-me envergonhado.

Há momentos em que ser brasileiro dá um desgosto profundo!

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* Em minha ingenuidade cabocla, gostaria de saber que processos de autocondescendência permitem a que um ex-ministro da Justiça seja advogado de defesa de um cidadão que, pelas investigações a que se chegou até agora, é um notório apropriador ilegal do dinheiro público, isto é, do dinheiro do mesmo país a que serviu há pouco.

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