A DELAÇÃO PREMIADA VIROU CASTIGO

Demóstenes, há muitas calendas, na Grécia antiga, depois de ouvir o oráculo de Delta, estabeleceu um acordo com o deus Karoulos Kaxhoeyrous, patrono da cidade Dinayros Publikós, pelo qual se comprometia a delatar ao deus qualquer ação dos hoplitas da guarda republicana em busca de desvios de dracmas dos cofres públicos atenienses.

Foi lá, nos tempos míticos, que se criou a tradição da delação premiada: ele prevenia o deus, que vivia em constantes festas orgiásticas com Dioniso e Fauno – portanto, completamente desatento -, e ganhava um cala-boca (stomaclaustro) mensal.

Assim a função de Demóstenes na assembleia do povo (eclésia) era a de olheiro de tudo – oftamorama (olho geral) – de Karoulos Kaxhoeyrous.

Aliás, este deus já tinha ganhado a concessão de Zeus para a exploração dos jogos dionisíacos (de imprevisibilidade total e ancestrais dos jogos de azar modernos), dos jogos olímpicos (precursores do Comitê Olímpico Internacional e suas mutretas) e até já havia feito a terraplanagem da plana planície chã e lisa de Maratona, com suspeitas de não execução de obra nenhuma e malversação de dracmas, cuja ação é responsável pela existência das grandes empreiteiras atuais, que praticamente fazem a mesmíssima coisa.

Contudo – e apesar desta associação estreita com o deus -, um dia a casa (oikos) caiu. E o nome de Demóstenes acabou exposto em bocas de Matildes gregas, em plena ágora ateniense, obrigando a eclésia a se reunir, em caráter emergencial, para o veredicto das ostras (ostraka). De olheiro, Demóstenes passou a bode expiatório (pharmakós), com sói acontecer em qualquer tragédia que se preze.

E Demóstenes, como também qualquer herói trágico, ficou sozinho diante de seus acusadores. Nem mesmo o deus Karoulos Kaxhoeyrous veio em seu socorro. Bem como nenhum dos comensais, nenhum dos bebedores contumazes das orgias dionisíacas apareceu para testemunhar a seu favor.

Demóstenes foi, então, mandado para o ostracismo da cidade greco-goiana de Catalão, para cumprir um exílio perpétuo, que será eterno enquanto durar, coisa assim de uma legislatura. Se tanto!

O bode expiatório (pt.wikipedia.com).

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